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Só se for o mundo de Valentina

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Atualidades Por Philio Terzakis Assinar feed do autor
pterzakis@yahoo.com

O ano é 1870. Um dia, a rainha Vitória, da Inglaterra, recebe o seguinte aviso de cientistas da época: se a população de Londres ultrapassar o número de 4 milhões de habitantes, a cidade afundará em cocô de cavalo.

Era o resultado do aumento da quantidade de carruagens, cavalos e, claro, de excrementos dos animais.

Bem... Londres afundou em merda? Não. Os homens inventaram a tempo o automóvel.

Quem conta essa história é John Naisbitt, expert em tendências do mundo, que predisse, há décadas, acontecimentos como a globalização da economia e o surgimento de redes de informação.

O que ele quer mostrar é o seguinte: os apocalípticos não são privilégio da época atual. Em cada momento, sempre aparece alguém pra anunciar o fim do mundo. E pode ser até que a Terra um dia exploda. Mas talvez não no momento – nem da maneira – que nós estávamos esperando.

Dia desses, eu estava na cozinha, lavando louça, com a televisão ligada pra ficar ouvindo aquele barulhinho. Aí, escuto a chamada do “Fantástico”. Era um negócio mais ou menos assim:

“Veja neste domingo: ‘O mundo de Valentina’. Como Valentina vai se virar num planeta cheio de lixo?”

Pelo que eu entendi, é o seguinte: trata-se de uma série de matérias cujo objetivo é mostrar como estará a Terra daqui a não sei quantos anos. Valentina é um bebê que será adulto nesse suposto mundo futuro.

Quanta arrogância! Vocês se dão conta? Quanta arrogância de nós, seres humanos, ao criar programas assim. Primeiro de tudo: quanto otimismo! Como é que a gente sabe que, no próximo minuto, a Terra não vai se chocar contra um corpo estelar qualquer e virar fumacinha?

E digamos que não se choque. Digamos que a gente chegue ao “futuro” – que, na verdade, não existe, porque quando chegarmos lá, ele já vai ser presente. Pois bem. Quem garante o que vai acontecer? Com que direito um punhado de gente vai à televisão pra fazer terrorismo?

Outra coisa: quer dizer que hoje estamos bem e no futuro é que não? Será?

A verdade é que ninguém sabe o que vai acontecer. Infelizmente, ninguém pode dizer, com certeza, o que vai acontecer. Mas o apocalipse é um prato cheio pra mídia. E parece que pro público também.

Até parece que a gente não tem nada mais importante pra fazer. No presente.

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