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Drogas – parte dois

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Comportamento Por Philio Terzakis Assinar feed do autor
pterzakis@yahoo.com

Tudo demais é veneno, diz o povo. Eu concordo. Nesse sentido, qualquer substância pode viciar e fazer mal. Café, maconha, açúcar, cocaína, carne, heroína e por aí vai. A gente pode se viciar até numa pessoa. E tem também o álcool e o tabaco, que são drogas, sim, que me desculpem os alcoólatras de fim de semana.

Além disso, é preciso respeitar as proporções. Não dá pra comparar alguém que fumou um baseado uma vez na vida com aquele outro, que toma vinte xícaras de café extra forte por dia.

Mas achar que um cafezinho e uma picada de cocaína são a mesma coisa é um pouco meio muito, não? Ou então respondam: se vocês fossem obrigados a escolher, que médico escolheriam pra fazer seu transplante de coração – aquele que acabou de tomar uma xícara de café ou o outro que acabou de fumar unzinho?

Ué! E não é a “mesma coisa”?

Outro ponto: quem disse que a existência do tráfico depende da existência de drogas ilegais? Se fosse assim, o contrabando nos Estados Unidos teria desaparecido com o fim da Lei Seca. Mas não. Os contrabandistas apenas escolheram outro produto e continuaram a traficar.

Porque o que dá dinheiro ao tráfico não é necessariamente a droga. E sim o fato de poder comercializar ilegalmente qualquer produto – uma atividade “fácil” e rentável. Se as drogas forem legalizadas, eles vão rapidinho encontrar qualquer outra mercadoria ilegal e continuar seu “trabalho”.

Além disso, por acaso a fabricação legal de cigarros impede a circulação de falsificações? Não sejamos ingênuos.

O mais incrível é essa relação feita entre a aceitação das drogas e a liberdade de espírito. Quem não gosta de drogas é porque é reacionário? Desde quando, cara-pálida? Desde a década de 60? Então, tá! E que mais? Não confie em ninguém com mais de 30 anos? E a Dona Carochinha vai bem? E Papai Noel?

A gente fica até com vergonha de dizer que é contra as drogas!!! Pode?!

Então, me explico: se droga quem quer, obviamente. Quem me conhece sabe que já fui fumante de tabaco e que, de vez em quando, tomo uma cerveja. Não é droga? É, sim! Então, por que fingir que não é? Pra que dizer que é uma coisa “boa”? Pra justificar seu próprio vício? Pra acalmar sua consciência? Mostrem-me um estudo sobre os benefícios da maconha ou do crack no organismo, por favor, e eu me calo.

Além de tudo, dizer que o fim do tráfico no Brasil depende da legalização da maconha ou de qualquer outro entorpecente é, repito, uma grave e perigosa ausência de noção. Até parece que o Brasil não tem problema maior que o de lutar pela legalização da maconha. Só a gente mesmo pra sair com uma dessas!

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