Usuário    Senha 
|     

Nu na cidade (Sobre o Big Brother)

Imprimir E-mail
Comportamento Por Philio Terzakis Assinar feed do autor
pterzakis@yahoo.com

Ai, ai, ai... Começou tudo de novo, e eu não sei o que é mais chato: o Big Brother Brasil ou o faniquito dos que dizem odiar o Big Brother Brasil.

Confesso que não sou fã do programa e, se ele se acabasse, provavelmente nunca mais pensaria no assunto. Mas tem coisa pior na televisão brasileira. Por exemplo, os programas de violência explícita e as novelas, que estão virando filmes pornôs – cenas de sexo entremeadas de uma história raquítica.

Acho que o que me irrita é a hipocrisia. Pelo menos o BBB é o que se propõe a ser: nada. E o nada até que diverte de vez em quando. Afinal de contas, qual de vocês passa 24 horas por dia falando ou pensando em política, economia, sociologia, literatura e os grandes temas da humanidade? Ah, por favor!...

Vejam bem: não estou defendendo nem acusando o programa. Só acho que as coisas não são tão simples assim. “Ah, é ótimo!” “Ah, é uma merda!”. Por que é ótimo? Por que é uma merda? Outra confissão: quando consigo tempo e saco, eu também assisto ao programa – e não preciso de desculpas pra admiti-lo.

Algumas das minhas razões:

- Adoro observar o comportamento dos seres humanos – eu sou jornalista! É divertido observar os tipos, imaginar sua vida pregressa, as razões que os levaram até ali, o discurso, o que eles são capazes de fazer, etc.

- Acho engraçado ver o cotidiano esmagar o sexo. Com o tempo, é inevitável a transformação daqueles gostosões e gostosonas em pessoas normais. Uns engordam demais, outros têm dor de barriga e por aí vai.

- É interessante também observar a escolha do povo brasileiro. É um bom exercício dissecar o personagem preferido pelas pessoas – e isso é fácil de saber logo nas primeiras semanas. Por que ele agrada ao brasileiro?

- Fazem-me rir ainda as barbaridades da linguagem daquele pessoal, em sua maioria, semi-analfabetos opcionais (aprenderam a ler, mas não lêem). Sei que não deveria, mas é grotesco – e o grotesco é irresistível, admito.

Ao mesmo tempo, sinto muita pena daquelas pessoas, mesmo do “felizardo” que vai ganhar um milhão de reais. Parece-me desumano colocar a si mesmo numa situação tão humilhante, desgastante e pouco confortável. É desumano achar que fama e dinheiro justificam essa autodegradação.

Para mim, o BBB é uma violação absurda da própria intimidade – e não apenas da intimidade sexual. Nesse sentido, o programa é constrangedor. E há momentos em que realmente desligo a TV ou mudo de canal, como quem tenta cobrir as vergonhas de um desvairado que desfila pelado pelas ruas da cidade.

Salvar no:

Reddit!Del.icio.us!Google!Live!Technorati!Furl!Yahoo!


 
< Anterior   Próximo >