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A história sem fim

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Cultura Por Philio Terzakis Assinar feed do autor
pterzakis@yahoo.com

Quem leu “A história sem fim” sabe que Bastian viveu muitas aventuras depois de salvar Fantasia do Nada. Ele ganhou o colar mágico Aurin e pôde realizar todos os seus desejos. Assim, viveu mil aventuras, até que um dia...

Até que um dia, Bastian sentiu que estava faltando alguma coisa e quis voltar pra casa. Oops! Problemas. Bastian não sabia o que estava faltando. Não sabia mais onde era sua casa. De tanto querer, não sabia nem mais o que queria.

Não vou contar o final da história. Só acho que o dilema do garoto é perfeito pra ilustrar o drama de nossos quereres. Ontem, conversava com uma amiga que fazia planos para o futuro, e isso me fez lembrar de Bastian.

Nossos planos para o futuro são muito engraçados. Pra começar, a gente recebe uma “to-do list” da sociedade. Exemplo: pra ser feliz você tem de ser jovem, bonito, loiro, se vestir bem, passar num concurso, viver numa metrópole, viajar muito, casar com gente rica, ser peituda, beiçuda e por aí vai.

Daí, você consegue algumas dessas coisas. Até porque, quando a gente bota uma coisa na cabeça, acaba conseguindo mesmo.

Um dia, baixa o dilema de Bastian: o que eu estou fazendo aqui? Por que não estou feliz em meio a tanta coisa “boa”? O que está faltando? Eu quero ir pra casa. Onde é a minha casa? Quem sou eu? E blá-blá-blá, blá-blá-blá.

Das duas uma: ou você é um daqueles chatos eternamente insatisfeitos ou não está fazendo realmente o que você É. Talvez você não queira ser loira, nem peituda, nem beiçuda. Talvez você não queira se casar. Ou ter filhos. Ou morar numa cidade grande. Na verdade, talvez você nem ligue muito pra dinheiro.

Aquela minha amiga, por exemplo, ainda está na programação. Como é forte e inteligente, está conseguindo tudo o que achava que queria. Só que o vazio está cada vez maior. O Nada está roendo ela por toda parte. Em vez de se realizar, ela está usando sua força pra obedecer à sociedade. Aí está lá: doente, insatisfeita, mal-humorada e querendo cada vez mais, sem saber direito o quê.

A questão é: o que você é? É como aquela propaganda: o que lhe faz feliz? E descobrir isso é um problema porque a gente não aprendeu a se escutar. Fica escutando os outros – como se os outros tivessem mais juízo do que nós. Vem um monte de “Ah, não devo”, “Ah, não posso”, “Ah, eu tenho que”.

Na minha opinião, se escutar é mais fácil do que parece. Você se sente bem apesar das dificuldades? Então, pronto. É porque tá fazendo o que gosta. Aí, a gente sente o peito se abrir, sente aquele sol dentro do peito. Sente que está tudo certo, que está tudo bem, que é por ali mesmo que tem que ir. Deve ser isso que se chama fazer as coisas com o coração. O seu coração, claro!

Mas se prepare. Primeiro, porque a gente sempre tem que assumir as conseqüências dos atos. Tem que se bancar. Não é uma opção, é a lei da ação e reação. Portanto, cuidado com as atividades ilegais, imorais, engordativas, etc.

Além disso, se você gosta de aplauso, talvez fique triste. As pessoas aplaudem quem realiza a “to-do list”, não quem é feliz. Então, pode acontecer de você estar no Nirvana e escutar os outros dizerem: “Ah, coitado. Olha só a situação daquela pessoa!”. Mas não ligue, não. O povo é meio bobo às vezes.

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