Obrigada, professores |
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Sim, eu sou professora de redação e também escrevo. Aliás, mostrar que eu também escrevo é um dos objetivos dessa coluna.
Isso porque, quando era estudante, não me lembro de ter lido um só texto escrito por professores de redação.
Eles sabiam chegar à sala de aula, dar um tema e mandar a gente parir um texto perfeito em uma hora. Façanha que nem grandes escritores realizam. Sabiam ainda rabiscar tudo depois, com caneta bem vermelha.
Agora, escrever, até hoje, não sei se eles sabiam.
Uma coisa é certa: se gosto de ler e escrever, não foi por causa da escola, e sim da senhora minha mãe, dona Valda. A escola só conseguiu atrasar em vários anos a minha coragem de começar a escrever.
Então, obrigada, professores. Obrigada por destruir a autoconfiança e o amor-próprio de milhões de estudantes.
Graças a vocês, eu morria de medo de escrever. Graças a vocês, hoje, é mais difícil ganhar a confiança dos alunos do que enfiar regras na cabeça deles.
Muitos ficam com medo de “se mostrar”, agarram o papel, não largam de jeito nenhum, dão mil explicações e justificativas, antes de me passar o bendito texto.
Às vezes, tenho de tomá-lo da mão deles:
- Ômi, me dê esse negócio!
E tudo pra quê? Pra fazer algo que todos nós sabemos: escrever em nossa língua materna. Uns mais, outros menos. E daí? A perfeição fica para os anjos e para as mulheres tratadas a photoshop.
Para nós, restam a paixão e o esforço. Para mim, já está de bom tamanho.
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