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Vovô, vovó...

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Cultura Por Philio Terzakis Assinar feed do autor
pterzakis@yahoo.com

A situação dos velhos por aqui é realmente muito miserável. Além de envelhecer, ainda têm que suportar o desprezo ou o paternalismo dos outros.

A situação deles é tão miserável que até a identidade eles perdem depois dos 60. Aliás, 60 coisa nenhuma, porque, nestas terras, passou dos 25, já está passado.

Quer um exemplo? Pois acenda a televisão e dê de cara com uma dessas reportagens sobre idosos. O vovô isso... a vovó aquilo... Vovô? Vovó? De quem cara-pálida? Só se for dos meus netos. De você, nem pensar!

Por acaso os repórteres chamam os adolescentes de “filho” ou “filha”? Chamam os adultos de “papai” ou “mamãe”? Não. Então por que chamam os idosos de “vovô” ou “vovó”?

Tudo bem que, com a idade, a gente perca fôlego, massa muscular e saco. Mas... o nome?! O nome, meu filho?! Dai-me paciência!

E aquelas exibições em praça pública das “façanhas” da terceira idade? Deprimente. Outro dia, cheguei a um shopping center onde idosos estavam sendo exibidos como macacos na feira. Macacos que sabiam dançar.

Em volta deles, as pessoas se admiravam: “Incrível!”. Incrível o quê? Que pessoas com mais de 50 anos dancem? Por quê? Pelo amor de Deus! Preconceito às avessas. Sempre a mesma coisa. Quem precisa de paternalismo?

O pior não é isso. O pior é que os idosos aceitam esse papel ridículo. É por isso que brasileiro, quando chega na Europa, acha os velhos grossos que nem papel de enrolar prego.

Porque velho na Europa se dá ao respeito. Não aceita ser tratado como coitadinho, como bonzinho. E se for com paternalismo pro lado dele, leva uma patada, sim, senhor. Eles querem ser tratados como gente que são e não como um personagem das neuroses dos mais novos.

Por que um velho seria coitadinho? Ou bonzinho? Ou vovozinho? Parece que nada mesmo é uma questão de idade. Nem noção.

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