A Adolescência De Nossas Vidas
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Contos
Por afonso jose santana  afonsojsantana@ig.com.br
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A adolescência de nossas vidas
Eu a vi pela primeira vez no jardim do colégio. Eu não sei, mas ela era diferente de outras garotas. Tinha um brilho no olhar que era diferente. Nos conhecemos. Nos apaixonamos. Vivemos um amor intenso. Um amor de adolescente. E vivemos nossas vidas até acabarmos o ano letivo colégio. De repente, cada um foi pra um ladolugar. É como se disséssemos adeus um ao outro. O tempo passou, amadurecemos. Formei-me em advocacia. Dela nunca mais tive notícias. Só ficaram as lembranças. As doces lembranças. Nunca pensei em me casar. Acho que não nasci para isso, ou acho que não achei a mulher certa. Acho que fico com a segunda hipótese. Às vezes me lembro dela, do seu doce sorriso. Das nossas brincadeiras, nossos passeios, nossas aventuras de adolescentes. Um dia, comprando um lanche, deparei-me com uma pessoa muito bonita, elegante, parece-me tê-la conhecido antes. Olhamo-nos e qual não foi nossa surpresa. Eu a reconheci e ela a mim. Nos abraçamos como dois adolescentes. Conversamos sobre tudo. Toda aquela paixão da adolescência que eu sentia por ela de repente começava a fluir. Comecei a tremer. A voz embargava. E o final inesperado: ela se casara. Tinham duas filhas. Consegui dar um sorriso de satisfação. Marcamos de nos encontrar para almoçarmos um outro dia. Na verdade eu queria vê-la de novo. Apesar de saber que na verdade eu não poderia fazer isso. Ela era casada. No nosso encontro ela me disse finalmente que nunca me esquecera. Foi-me um choque. Imaginei que ela tinha me esquecido. De repente começamos a nos encontrar. Todo aquele amor da adolescência voltou. Comecei a viver novamente. O dia amanhecia mais alegre, eu acordava com bom humor, enfim, minha vida começou a tomar um novo rumo. Agora tinha percebido porque nunca tinha me casado. Acabara de achar a mulher da minha vida. Mas achei num momento pior de nossas vidas. Ela estava casada. Como a vida teria um sentido dessa forma? Quando estava com ela esquecíamos de tudo. Do mundo, enfim. Amávamo-nos como loucos. Como dois adolescentes que se sentiam maduros para assumir um amor verdadeiro. Finalmente eu disse a ela que teríamos que tomar uma decisão, ou melhor, ela teria de tomá-lo. Eu não achava justo vivermos como amantes. Queria-a só para mim, não queria dividi-la. Ela chorou muito. Não poderia abandonar a família no estágio em que estava. Havia se estruturado na vida, tanto profissional como na familiar. Isso até que eu entrei de novo em sua vida, ela me disse. Choramos abraçados, pois nosso amor era maior que tudo. Mas aquela situação não poderia continuar. Beijamo-nos apaixonadamente pela última vez, e, pela última vez a vi dobrar a esquina sem olhar para trás. Percebi que passava as mãos nos olhos, mas não olhou. Hoje, de vez em quando, volto ao mesmo lugar que nos reencontramos. Fico pensando nos nossos momentos. Nos momentos mais felizes que passei na minha vida. Ás vezes me dá um nó na garganta e fico ansioso pensando se ela vai dobrar a esquina de novo, de volta para mim, pros meus braços, sorrindo. E para sempre.
:]