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Devaneis

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Contos Por afonso jose santana Assinar feed do autor
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O rapaz falava percebendo que havia pessoas à sua volta, pois ouvia ruídos ao seu redor. Falava ora como um político, ora como um orador de algum credo. Fazia gestos, dava socos no ar. Chamava a atenção. Percebia que mais e mais ruídos se aproximavam. E ele num frenesi, levantava mais a cabeça, impondo pensamentos, suas atitudes e suas ambições. Imaginou-se agradando o público e jogava panfletos religiosos o políticos. Então, mais e mais colocava seu pensamento à tona e à sua volta para que mais e mais ouvidos o ouvissem.
- é preciso que me ouçam, aproximem-se: o fim está chegando! Temos que nos preparar desde já, senão não teremos tempo e seremos massacrados por nossas próprias culpas. Elevemos nossos pensamentos para sejamos ouvidos e nos sejam dados os perdões adequados a cada falha nossa, a cada omissão nossa...

Ele vestia um jaleco branco largo. Tinha os cabelos emaranhados. Parecia estar em transe, transformando seus sentimentos ora em momentos felizes, ora em momentos tristes. De repente um barulho se fez ouvir. Os pombos que estavam à sua volta saem em estrondosa revoada, afugentados. Dois homens vêm em sua direção, nervosos, e o seguram pelo braço.

- já não dissemos para não dar comida aos pombos?! E como conseguiu sair de lá de dentro!? Xô, seus bichos nojentos, que só trazem sujeiras!!

Ele esperneia dizendo palavras desconexas enquanto os dois homens o levam para dentro de um portão enorme de ferro e bem protegido. Ele grita, esperneia, berra palavras sem nexo enquanto é carregado. Na entrada uma placa enorme diz “hospital psiquiátrico”.
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