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Mentiras

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Contos Por Rodrigo Marini Domingues Assinar feed do autor
marini@ieg.com.br

Você não é a mesma pessoa que conheci anos atrás. Sei que também mudei, mas meu amor por você é fortalecido cada vez mais. Não posso dizer o mesmo sobre o seu por mim, pois, enquanto estamos juntos, há muito tempo você só olha para o horizonte vazio, onde não estou.
A cada vez que preciso viajar sinto cada vez mais a sua falta. Nesses desencontros eu ínsito em te encontrar, como se eu partisse já pensando em voltar, como se no “fundo” eu não pudesse existir sem ter tê-la. Toda vez que volto, eu te vejo sempre igual, como se a saudade fosse a coisa mais banal e eu chegando sempre como um louco para dizer que te amo. Sinto que o destino quer nos separar, às vezes ele nos quer ver seguindo caminhos opostos. “Se ainda me ama desenhe um coração com o meu nome e deixe no portão”. Lembra-se de quando lhe disse isso? Pois é, no outro dia eu passei em frente à sua casa e o coração não estava lá. De repente eu vi, de longe, alguma coisa que me fez chorar. A surpresa foi tão grande que eu não pude acreditar. Naquele momento, me lembrei de nosso primeiro beijo, logo após te pedir em namoro. Foi no dia de seu aniversário no ano passado. Lembra-se? Aquela noite, éramos como se fôssemos o sol e a lua dividindo o mesmo céu.
É melhor você não me procurar mais, porque se você entrar por essa porta novamente sei que vou me machucar. Estou com medo de sofrer de novo e me apaixonar, pois você tem o dom de me fazer chorar. Ao terminar de ler essa carta esqueça-me e jogue no lixo tudo o que me traga a sua memória.
Mas se uma lembrança transformar seu sorriso em lágrimas no olhar, limpe o rosto e minta ao novo amor. Olha para ele e diz que é emoção e que jamais foi tão feliz.

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