O Último Som do Piano
|
|
|
Contos
Por afonso jose santana  afonsojsantana@ig.com.br
|
O último som do piano
Maria vivia só. Os pais morreram e ela vivia na casa que eles lhe deixaram. Tinha seus 30 anos. Tinha um cão como companhia: Faro. Ficara noiva uma vez. Desiludida, nunca mais quis se aproximar de outro homem. Tinha a pensão do pai e a casa. Era professora de piano. Um certo dia, achando que a casa merecia um pintura nova, contratou dois pintores. Um deles, Pedro, chamou-lhe a atenção. Era simples, modesto, com seus 20 e poucos anos. Faro, o cão de Maria, latia sem parar. Parecia não ter ido muito com a cara de Pedro. Numa conversa com ele percebeu que ele era só e estava tentando melhorar de vida. O pouco dinheiro que ganhava, mandava para seus pais no interior. Começaram a se relacionar. Depois de tanto tempo, Maria apaixonou-se novamente. Pedro, com o decorrer do tempo, começou a ter obsessão pelo que Maria possuía. Outrora modesto, pacato, talvez a ignorância foi fazendo dele um homem obcecado por desejar as coisas alheias, já que com seu trabalho nada conseguia. Morando com Maria elaborou um macabro plano: planejaria o assassinato de Maria e tudo o que ela tinha ficaria para ele. Seria simples. Pediu à Maria, numa noite que tocasse algo para ele. Ela sentou-se ao piano, e começou a dedilhar uma melodia. Enquanto isso começava a fazer seu plano. Foi até o fundo da casa pego um pedaço de corda e o apertou bem forte em volta da garganta, sugerindo que algum assaltante quis roubar a casa e o pegou desprevenido. Ficaria a marca da corda na sua garganta. Foi até a sala onde Maria tocava o piano e com a mesma corda enlaçou seu pescoço, puxando-a para trás. Com esse movimento a tampa do piano fechou, fazendo grande barulho. Faro, o cão fiel, acordou súbito de seu sono leve correu até a sala e avançou sobre Pedro, despedaçando-o. À Maria, ofegante, triste por saber o que o namorado pretendia, restou chamar a polícia. Pela segunda vez seu sonho tinha sido desmoronado.