Armadilha da Noite |
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E, além de tudo, eram altas horas da noite. Apenas ele e uma criancinha de rua aguardavam o ônibus na parada.
Eis que vem chegando um negro, mal encarado, e pessimamente vestido, aproximando-se deles mesmo sem ter sido chamado.
Percebendo aquilo, segurou a valise com toda a sua fé em Deus, rezando para não ser molestado, ainda tendo tempo de conter um grito, para não assustar a pobre criancinha ao seu lado.
Contudo, tenebroso, o homem insistia em se aproximar, colocando-se estrategicamente por trás dele e do guri, pensando não estar sendo notado. Sem barulho manifestar ou alguma palavra falar. Aparentemente, esperava a hora certa de atacar.
Sua atenção para os suores da testa já competia com a do frio na barriga. E até a fala, mesmo que quisesse, não mais lhe obedeceria.
O ônibus não chegava e, como se não bastasse, agora chovia.
De repente, o pobre gurizinho disparou a correr, sem deixar de derrubar numa poça dágua o canivete enferrujado que escondia.
Foi quando o estranho finalmente falou: Estava tomando conta do senhor.

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