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As Duas Velhinhas

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Estorias Por Gustavo Arruda Assinar feed do autor
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Todas as manhãs, as duas amigas idosas saiam para orar em um pequeno templo no subúrbio da cidade. À tarde, arrecadavam contribuições para a congregação, lustravam as portas do templo, lavavam o chão e, muitas vezes, davam o dinheiro da própria comida para a Paróquia.

Moravam juntas - sem filhos ou maridos - curando a solidão com rezas e praticando os ensinamentos que aprendiam nos Cultos.

Entretanto, em um domingo ensolarado - dia costumeiramente reservado para muita reza e reflexão - uma delas amanheceu morta. Havia chegado o dia de Deus dela ter compaixão.

Os vizinhos trataram rapidamente de preparar um velório para a dedicada velhinha, reunindo-se na pequena casa para vigiar o corpo.

Apenas uma pessoa não compareceu àquela vigília. A outra velhinha - companheira de tantas orações da amiga falecida - precisava estar sem falta às nove horas na congregação, para cuidar dos preparativos do culto matinal, como uma boa devota faria.

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