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Visista Inesperada

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Estorias Por Gustavo Arruda Assinar feed do autor
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Ele dedicava todas as horas que podia ao seu labutar incansável. No início, era um meio de sobrevivência, para garantir a sustentação da família. Logo, logo, este motivo já não mais servia, pois reuniu dinheiro suficiente para não precisar trabalhar. Mas, o homem ambicioso acostumara-se com a rotina de trabalho, sendo impossível àquela altura a abnegar.

Não demorou muito para, ainda jovem, sofrer os reflexos de sua insensata devoção. A família não mais lhe interessava, a alimentação por ele era negligenciada e sua saúde rapidamente deteriorava-se. Passou a valorizar exclusivamente os assuntos de negócios, isolando-se gradativamente das pessoas.

Até que só, precocemente envelhecido e impedido de trabalhar, pelas condições físicas precárias, resignou-se em parar. Não que assim desejasse ou tivesse mudado de postura em relação à vida. Estava, na realidade, bastante amargurado com a impossibilidade de continuar em sua jornada egoísta, que nem mesmo ele sabia para onde levaria.

Chegou do seu último dia de serviço à noite, tomou um banho, fumou um cigarro e foi deitar. No meio da madrugada, subitamente acordou com um alto senhor, que adentrara em seu quarto, sem convite ou avisar, vestindo roupas brancas e sorrindo-lhe cordialmente.

O dono da casa, irritado com tal invasão e contendo-se para não agredir o velhinho, expulsou-o grosseiramente de sua casa, voltando a dormir.

O senhor olhou para trás e sorriu mais uma vez, despedindo-se passificamente do insensível homem, lamentando: Está igual como quando era vivo....

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