A felicidade no horizonte da morte
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Poesia
Por Rodrigo Miralha  rodrigomiralha@bol.com.br
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A morte está no horizonte,
Está na chuva seca que não quer cair,
Nas árvores mudas lacrimejantes,
No solo podre de ossos vivos,
Na noite clara da dia escuro.
A felicidade está nos olhos sedentos da lua,
Na tristeza constante da chama mórbida,
Na loucura remediante e cirúrgica,
Nas canções divinas da alma negra,
Na ponta da lança do soldado febril,
Está na morte do inimigo, chorando sangue.
A necrofilia está no amor dos esqueletos,
Nos olhares de zumbis sociais,
Nas nuvens brancas de paz,
Esconderijo do dono da fonte.
No horizonte está a felicidade da morte,
A tempestade amarela que traz o sol,
Que canta para a terra o silencia sombrio,
Está a cegueira da lua,
Que enxerga todo amor perdido,
Sendo pedra enterrada num mar doce,
Sendo ave brilhante de luz contagiosa,
Sendo tesouro perigoso de sonhos,
Sendo horizonte de felicidade e morte,
Infinito, incabível e imortal.