Eterno Amor
|
|
|
Poesia
Por Tharcyla M. G.  tharcy_witch@hotmail.com
|
Na
tarde serena de um dia agonizante, senti que algo estava a me acontecer.
Foi então, que num súbito instante, você surge por entre as sombras
dos arvoredos, e sorri maliciosamente para mim.
Me assusto, me perguntando o que você poderia estar fazendo aqui.
Caminho então lentamente em sua direção, com a cabeça baixa,
pensando no motivo de sua aparição. O medo toma conta de todo meu
corpo, que treme friamente. Vou chegando cada vez mais perto de você, e
você...estampa no rosto aquele mesmo sorriso...
Estou à sua frente, e ao encontrar seus olhos me perco na imensidão
azul vertiginosa que um dia me pertenceu.
Suas mãos percorrem minha face lentamente.
Você olha para meus olhos profundamente, lendo meus pensamentos,
desvendando minha alma.
Suas mãos continuam a percorrer meu corpo, mas tudo que sinto é um
imenso frio, uma sensação de vazio... não sinto mais seu toque...
O seu sorriso já havia desaparecido de sua face. Eu não sabia o que
fazer, não sabia o que dizer...
Mas, o que dizer depois do que havia acontecido? Não havia mais volta,
e eu sabia que isto não poderia continuar assim...
Não poderia te tocar, te beijar, te abraçar. Seria como se tocasse o
vento, beijasse o ar, abraçasse um imenso vazio...
Chorei. Chorei pelo fato de que tinha que admitir que você não estava
mais aqui, que você era somente fruto de minha imaginação.
Mas você insistia em tentar me tocar, para provar que você ainda
estava aqui...
Suas tentativas foram em vão, eu não sentia nada, você também não
conseguia me tocar... era como se sua mão atravessasse delicadamente
meu corpo...
Foi então, que uma lágrima escorre por entre sua face... você percebe
que tudo era verdade, que o que havia ocorrido naquela noite era para
sempre...
Ao ver você chorar, esqueço completamente de tudo que aconteceu e num
movimento de afeto, te abraço, mas tudo que encontro é apenas meu próprio
corpo.
Isso era inacreditável... o que havia ocorrido era para mim um fato
inaceitável.
Porque você tinha que enfrentar o mar naquela tarde? Porque você não
ouviu os conselhos e avisos dos seus amigos mais próximo? Mas você
insistiu... foi mar adentro, e cada vez mais distante, foi desaparecendo
naquela imensidão azul. Foi quando você sentiu uma imensa dor, e já não
conseguia bater os braços.
As nuvens manchadas de sangue foram desaparecendo, e você foi afundando
vagarosamente, ao som das ondas daquele mar revolto.
Você não sabia onde estava, quem era... era tudo azul, você, ali, no
meio do nada.
Seus olhos ainda abertos, olhavam assustadoramente para o nada. Você
sentiu o aroma da morte cada vez mais perto, e ao perceber que não
conseguia mais se mexer, deu um último suspiro, e enfim, cerrou os
olhos.
Ao receber a triste notícia de sua perda, meus olhos inundaram em lágrimas,
entrei em pânico. Estava desesperada. Com raiva do mar, que havia
tirado de mim a pessoa mais preciosa de minha vida.
Agora, você estava ali, pálido e assustado, ao meu lado. Não sabia ao
certo se isso era real, mas teria de qualquer forma que superar sua
morte.
Você não acreditava no que havia lhe ocorrido, e calmamente lhe
expliquei. Vi sua expressão de medo colorir sua pálida face. Mas de
nada adiantava, eu não poderia fazer mais nada.
Você então percebe meu medo, minha raiva, meu desespero. E lentamente
vira-se. Você começa a caminhar entre as árvores, e eu ali, parada à
te olhar, vendo você partir mais uma vez...
Num último momento, você vira para mim, e com um olhar tristonho,
docemente me sorri, jogando um beijo em minha direção.
Sorrio de volta, e choro... por estar te perdendo novamente...
Então, você desaparece entre os arvoredos, e deixa a essência de seus
corpo por onde passou. Sinto seu cheiro, ainda sinto sua presença.
Fecho os olhos, e delicadamente abaixo, deitando na grama aveludada
daquele bosque. Tudo que desejo é que você volte, e me leve contigo,
pois não tenho mais motivos para viver se for para viver sem você.
As lágrimas escorrem por entre meu rosto e mancham de dor minha blusa.
Sinto sua voz em meu ouvido sussurrando. Não quero escutar, pois sei
que é minha imaginação, e tenho, preciso te esquecer.
Mas eu não quero! Não quero te esquecer! Tenho medo de um dia não
lembrar de seu rosto. De esquecer nossos momentos...
Quero morrer!
É então, que escuto uma voz. Não é sua voz, mas sim uma voz mais
doce, suave, serena... cesso as lágrimas e escuto cada vez mais perto
aquela mesma voz.
E é aí que meu rosto de ilumina, e as nuvens voltam a ser brancas...
Aquela serena voz, nada mais era do que minha alma. Me dizendo para não
ter medo, pois mesmo o que o mar levou você embora de mim, haverá
sempre um lugar onde eu posso te encontrar:
NO MEU CORAÇÃO!!