O Anjo caído e a melindrosa Deusa
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Poesia
Por Olaf Lux Occulta  olaf@algosobre.com.br
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I.
Alva Deusa Banhando-se Na Fonte
Violinos
lamuriam por dentre a selva
Do sombrio céu, estrelas contemplam
Nos longínquos vales, corvos sussurram
Elfos derramam mistérios
na relva
Um
mar de ilusões abre-se repentinamente
Meus olhos esculpem sutis formas incertas
Escondidas no nevoeiro, tua pureza acerta
Meus pudores, queimando-os subitamente
II.
Adagio Crepuscular
O
sol descende numa queda infinita
O portão da noite, a feição maligna
Brota lenta a tão louvada flor ígnea
Enaça-me, envolvente, quão me excita!
Tempestade
de sentimentos se fundem
Aos meus olhos ascende tão sonhada
Deusa alva das fontes, antes suspirada
Em mim, tuas singelas formas se confundem
III.
Cândida Donzela (A Última Folha do Outono)
Dama
de Branco! Enfeitiça-me com tal bruxaria
Que por minha vida, o amor se faz por ausente
O Anjo cego me acertou! Tua beleza reluzente
e graça virginal me encanta! Dirceu invejaria!
Tua
essência, límpido odor das flores outonais
Penetram docemente em minhas entranhas
Palpitando meus impulsos, sensações estranhas
Sentindo o frio das impetuosas brisas invernais
IV.
Choro Copioso
Piedade!
Àqueles que me esquecem
Neste leito. Escorre, aos Deuses clama
Meu rubro sangue que lento derrama
Minhas mãos não mais me obedecem
Amor
sem fim! Dor sem fim!
Queda sem fim! Choro sem fim!
As estrelas (tão longe!), não posso pegá-las!
Queria, como nos mais tenros sonhos, agarrá-las!
V.
Requiem
Candelabro,
sete negras velas acesas em meu respeito
Dama de Negro! Afastando teu véu, ó Deusa do perdão!
Melodia lúgubre, afundando-me mais em minha prisão
Quando, finalmente, fito teus olhos... vida não mais aceito
Murmurando
esta fúnebre oração em meus ouvidos
Decepciono-me com minha eterna mediocridade
Desenganado por tal maléfica ingênua fragilidade
Sentimentos cegos que pela razão não foram argüidos
VI.
Postmortem
Flautas
negras sussurram...
Enquanto sacerdotes oram...
Demônios revoltosos urram...
Enquanto almas choram...
Entrego-me
à ti, mestre da negra magia,
Que roubaste minha vida por sua cria!
Impetuosa decadência! Destruindo ainda
Quando desejo tua face em relutante vinda!