Que mundo, e que seres são esses?
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Poesia
Por Lizete Abrahão  lizeteabrahao@portoweb.com.br
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Que mundo é este
de seres feitos de carne que se putrefaz
e de amargo cimento?
Que mundo é este
onde os homens cravam as presas e
arrancam a alma de seu igual?
Que mundo é este
que se desfaz em cogumelos e à cuja sombra
se banqueteiam hienas?
Que mundo é este
de espigões chorosos que abrigam
somente pombas incautas?
Que mundo é este
que se enrosca nos cabelos macios
das noites negras?
Que mundo é este
onde a vida se degenera
no crescimento do mutilado?
Que mundo é este
onde os tacanhos esmagam cérebros
e vermes a cada degrau?
Que mundo é este
onde o verso de palavras livres
é aprisionado pelo cérebro mecânico?
Que mundo é este
de carrancas disformes
pelas malícia?
Que mundo é este
de seres escravos dos esfomeados
ávidos?
Que seres são estes
que chafurdam na lama
do holocausto íntimo?
Que seres são estes
que se cercam de lacaios
de carreira?
Que
seres são estes
que gorgolejam no poço
da inércia?
Que seres são estes
que não se entredizem
na hora de existir?
Que seres são estes
que se dilaceram na disputa
pelo repasto?
Que seres são estes
tão pequenos que se
ressecam?
Que
seres são estes
tão pequenos de vísceras expostas
ao escárnio?
Que seres são estes
tão pequenos que roubam os gestos
e a esperança?
Que seres são estes
tão pequenos que se acobertam
à sombra da morte?
Que mundo e que seres estranhos
Que são estes que eu não reconheço?
Que buscam a solidão para não serem sozinhos?
Um dia, quando aqui estive de passagem,
disseram-me que este mundo
se chamava Terra e que
quem o habitava eram
seres humanos.