Sexto Sentido
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Poesia
Por vilma de Fátima Oliveira Leite  vilmaoliveiraleite@bol.com.br
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Trago preso nas mãos às rédeas do meu destino
cadeado do mundo,
Sem, no entanto, apressar cada passo que dou,
trôpego engano,
Quando os sonhos me atropelam no meio da noite
calmaria da insônia,
Sou mais breve que o tempo que passa velozmente
Entre os meus dedos hábeis e ágeis murmurando
consonância perfeita!
Estendo os braços ao sol dos meus dias cansados
tenebrosa utopia,
Na vereda dos meus anos vividos corro ao vento ufano
de tantas incertezas,
Vou ao longe desvendando mistérios alheios e vagos
no interior de mim,
Como se as horas estancassem em relógios exaustos
Sou mais leve que a ave voando nas nuvens paradas
em peso abundante!
Cada dia mais firme permaneço indiferente
aos anseios da vida,
Só a sorte é capaz de transcender esse espaço oriundo
ramalhete celeste,
Só a morte é inevitável a romper laços eternos da fragilidade
Na profundeza da lágrima derradeira sou alma do mundo
Sou vítima da espera perdida nos pântanos da hereditariedade
que me surpreende!
Cada vez mais descrente saboreando vitórias
nunca alcançadas,
Suplico ao céu num vislumbre, colorido apelo,
na derrota cumprida,
Entre vozes repetidas que me acusam e tremem
afronta, dissabores,
Sou coroa de espinhos retirados da fronte do Cristo
Sangrando na alma a tortura do horror renascido
na ópera da vida!
Nesse sexto sentido eu esbarro em montanhas
de causa e efeito,
Rolando em túneis, labaredas correntes...
na febre que brame,
No labirinto das minhas lamentações presas,
contínua senzala,
Quando a chama incendeia as têmporas minhas
Revolta em antigas sensações que embriaga
o meu ser diáfano!
No tropel da existência eu me farto, eu parto,
e reparto conflitos,
Eu sigo meu tempo perdido em vãs procuras
de alienação total...
Vou dissipando ilusões em vitrines invisíveis
cômoda sonolência,
Sem saber que por traz de todos os vícios do corpo
Existe um poema disfarçado em doce martírio
que me desgoverna!