Pacientes paraplégicos com antigas lesões na medula espinhal apresentaram melhoras sem precedentes na mobilidade e nas sensações com um treinamento de realidade virtual e o uso da robótica controlada pelo cérebro, informou nesta quinta-feira (11/08/2016)  uma equipe de cientistas liderada pelo brasileiro Miguel Nicolelis.

Alguns pacientes conseguiram até mesmo reiniciar sua vida sexual graças a esse tratamento de reeducação cerebral e física experimentado no Brasil.

Seis homens e duas mulheres que perderam completamente o uso dos membros inferiores registraram progressos significativos, relataram os pesquisadores na revista "Scientific Reports".

Em quatro casos, os médicos foram capazes de melhorar seu status para "paralisia parcial", um nível inédito de melhoria através de técnicas não-invasivas.

Um deles -- uma mulher de 32 anos paraplégica há mais de uma década - pode ter vivenciado a transformação mais dramática. No início dos testes, realizados em uma clínica de São Paulo, ela era incapaz de permanecer de pé mesmo com a ajuda de suportes. Treze meses depois, ela conseguia andar com a ajuda desses suportes e de um terapeuta, e passou a realizar o movimento de andar suspensa a partir de um arnês.

"Nós não poderíamos ter previsto este resultado clínico surpreendente quando o projeto começou", explicou o paulista Miguel Nicolelis, neurocientista da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, e o principal arquiteto desta pesquisa de reabilitação.

"Até agora, ninguém viu a recuperação dessas funções em um paciente tantos anos depois de ter sido diagnosticado com paralisia completa", contou a jornalistas em uma entrevista por telefone.

Uma das mulheres recuperou suficientemente as sensações --em sua pele e dentro do corpo-- "que decidiu ter um bebê", contou Nicolelis. "Ela conseguia sentir as contrações", afirmou.

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