Todo aluno secundarista de qualquer instituição de educação no Brasil já se deparou algum dia com um livro ensebado composto em sua maioria por notas de rodapé que abrangiam pelo menos 3/2 de cada pagina, impostos pelo currículo escolar com prazo médio de um mês.

Nesses livros, os clássicos da literatura brasileira, cobrados em vestibulares de qualquer universidade publica ou privada, o inocente aluno do ensino médio encontra eufemismos, metonímias, aliterações, prosopopéias e etc; palavras de algum português arcaico que se perdeu com o tempo.

Sua narrativa é formada normalmente por descrições minuciosas, ausência de clímax e desfecho magistralmente narrado, porém não causa o espanto e admiração proposto nas aulas de português da 4ª série do ensino fundamental.

Antes de iniciar minha blasfêmia deixo claro o significado de importância por mim assentido de um livro da literatura clássica brasileira ou lusitana: "Da mais alta qualidade; Cujo valor foi posto à prova do tempo; Escritor, artista ou obra consagrada, de alta categoria" Dicionário Aurélio.

Na minha inocente mente adolescente, ainda vejo a leitura como um deleite, um prazer a ser desfrutado com calma e sabedoria, mas eis que me empurram livros ensebados e fora do meu contexto de faixa etária. Os jovens brasileiros não são familiarizados com a leitura diária, então o MEC (Ministério da Educação e Cultura), com o intuito de tirar um peso da consciência de que está fazendo seu papel obrigatório para a formação de jovens com mais cultura, crê que deve-se cobrar livros "clássicos" em provas de vestibular.

As instituições de educação no Brasil cobram essa literatura nacional ou lusitana e os queridos pupilos os lêem, sem entender bolotas nenhuma do que o autor consagrado e de meu respeito tem a oferecer. O que “essas mal traçadas linhas” tem a defender, é que os livros sugeridos pelo currículo escolar nacional estão fora de contexto em relação aos seus humildes leitores, alunos secundaristas.

Mesmo a minha pessoa, que tem o habito da leitura, ainda não se sente preparada para encarar o português arcaico de Machado de Assis, por exemplo. Então, o que um playboy malandro e alienado ao seu mundo tem a se beneficiar com sua mão suja de sebo?

Livros devem ser encarados como um avião, por exemplo: o ser humano nasce e tenta engatinhar (sua primeira aula de direção), depois de aprender, começa a pedalar algo de três ou mais rodas, aí então parte para a bicicleta. Quando fica adulto aprende a dirigir seu carro, “entonces” é que depois o ser decide se quer pilotar um avião como forma de alcançar pleno domínio sobre céu e terra. Ou não.

Basta por um bebê pilotando um avião que ninguém sai ganhando. É preciso primeiro aprender a engatinhar. Os livros clássicos de nossa literatura nos devem ser apresentados quando nos sentirmos capazes de absorver toda a sua poesia e não impostos como desencargo de consciência.

O habito da leitura deve sim, ser trabalhado ao longo da formação estudantil de um aluno, mas de maneira paralela ao seu contexto e não por em suas mãos um Boing-747 esperando que o faça voar.

 

"A educação (...) criou uma vasta população capaz de ler, mas incapaz de reconhecer o que vale a pena ser lido." - G. Trevelyan