Adoro fuçar as livrarias em busca de livros sobre redação, para preparar minhas aulas. Daí que sempre me espanto com o número de manuais que prometem ensinar como escrever bem.

Se um dia escrever um livro do tipo, ele conterá apenas três conselhos: leia, escreva e viva. É o que digo a meus alunos na primeira aula. Manual não ensina a escrever. Nem gramática. Nem dicionário. Muito menos cursos de redação.

Erros gramaticais? Não dê vexame e está tudo bem, diz Luis Fernando Veríssimo. E eu concordo com ele.

Tudo não passa de adjutórios. Claro que é bom ter em casa uma geladeira, um fogão, uma gramática, um dicionário e um bom manual de escrita. Às vezes, é bom até frequentar um curso. Ajuda. Mas não ensina.

- E ler o quê? - perguntam os alunos.

Leia de tudo. Não caia na armadilha de ler apenas autores "consagrados". Leia "bons" autores para se encantar e aprender a escrever. Leia "maus" autores para conhecer o imaginário do mundo. Leia bulas de remédio, outdoors, cartazes, anúncios de classificados.

Lendo e escrevendo, você vai adquirir o que Celso Pedro Luft chamou de "gramática interna". Vai conhecer por instinto as regras gramaticais e a grafia das palavras. De quebra, vai aprender a pensar.

Escreve bem quem pensa bem, ensinam os mestres. Aprende a pensar quem vive, acumula experiências, conversa, observa, viaja (nem que seja em pensamento), estuda, lê (mais uma vez, de tudo), escreve, arrisca.

Nenhum manual consegue, sozinho, ensinar a pensar. Quem não pensa não tem boas ideias. Quem não as tem não pode dá-las, adverte Othon M. Garcia.

Simples assim.