Muito comumente os discursos acadêmicos acerca da educação moral promovida pelas diversas expressões de fé eram cheios de preconceitos, visões simplistas e destorcidas. Na maioria das vezes afirmava-se que o ensino religioso não passava de uma lavagem cerebral moralista e proselitista. Mas a ciência tem como característica investigar sempre, indo além dos preconceitos. Refazendo caminhos reconhece os próprios erros e avança.

É nessa perspectiva que vários estudos sérios, fundamentados numa metodologia rigorosa, evidenciam a interface religiosidade e uso de álcool e drogas por adolescentes e jovens. Sabe-se que a vivência religiosa, bem como álcool e as drogas, fazem parte de um conjunto de experiências na vida dos jovens, movendo neles dimensões psicossociais e afetivas significativas, daí a importância de entender a relação entre estes dois polos, religiosidade x álcool e drogas.

A maior parte dos estudos que se tem realizado com essa temática demonstram, de forma significativa, que o uso de álcool e drogas está relacionado com não ter religião ou ter pouca religiosidade, bem como ser religioso não praticante.

Algumas pesquisas nos ajudam a entender a evolução das investigações nessa área. Em 1992 Clark, Daugherty e colaboradores realizaram nos Estados Unidos uma enquete nacional com 2.036 estudantes de medicina e 1.177 médicos residentes e constataram que os que diziam não ter religião tinham mais envolvimento com drogas (CLARK, et. AL. 1992). Já em 1998 Yarnold e Patteson pesquisaram 458 estudantes secundários de escolas públicas da Flórida (EUA) e mostraram que considerar a religião importante para suas vidas foi um grande fator inibidor do uso de maconha entre esses estudantes. Na mesma linha, uma pesquisa feita por Strote em 2002 numa enquete nacional realizada com 14 mil estudantes de 119 universidades americanas constatou que o uso do ecstasy (uma droga sintética) foi maior entre os estudantes que consideravam a religião como menos importantes para eles.

Estudo semelhante realizado no Brasil no ano de 1992, com 16.117 do ensino fundamental e médio de quinze cidades brasileiras, revelou uma correlação constante entre consumo de álcool e drogas e frequência de atividades religiosas, deixando claro que havia uma tendência menor do uso do álcool de drogas entre os jovens praticantes de atividades religiosas. 

Na mesma linha de estudos Queiroz (2000) incluiu 2.564 estudantes universitários de 21 cursos da USP e revelou uma associação entre o maior uso de drogas e a ausência de vivência religiosa.

Num levantamento com 11.876 estudantes (11.382 universitários e 624 secundários) do Estado de São Paulo, Kerr-Corrêa e colaboradores, em 2002, identificaram que, entre os estudantes secundaristas, o uso excessivo de álcool relacionou-se a não participar de uma religião e o uso da maconha entre os estudantes universitários, associou-se a não ter religião. Ao analisar estes estudos Dalgalarrondo e colaboradores (2004) terminam por concluir que o uso de álcool e drogas é constantemente modulado por normas, valores e práticas grupais, oriundas tanto do grupo familiar como de grupos extra-familiares como, no caso, os amigos de escola, de clube, do bairro ou grupo religioso.

Diante de tantas evidências sobre o impacto positivo da experiência religiosa como fator preventivo ao uso de álcool e drogas, e que certamente, por analogia, previnem outros comportamentos que vão de encontro aos valores mais nobres da alma humana, fica claro a importância da espiritualização de crianças e adolescentes. Conhecer a Divindade, seus princípios e suas propostas para vida de cada um de nós, proporciona parâmetros nobres de identificação da personalidade, para contrapor alguns dos valores equivocados oferecidos acintosamente no mundo atual, de forma que a experiência religiosa consubstancia-se numa valiosa lição da qual não podemos prescindir.

Alguns dizem que vão deixar o filho escolher a religião, que vão professar quando estes crescerem, argumento no mínimo irresponsável. Outros dizem que o filho não gosta de frequentar as atividades religiosas, por isso não vão forçá-los para que eles não abusem. Mas, a maior parte das crianças e adolescentes também não gosta de estudar, de arrumar o quarto, de dormir cedo, e nem por isso podemos deixá-los decidir não fazer estas atividades. Aos pais, cabe a tarefa de direcionar e oferecer caminhos, que podem, inclusive, ser questionados depois, mas as crianças, adolescentes e jovens precisam de direcionamento. 

Outros pais equivocadamente acreditam que a escola, que mais instrui do que educa, poderá formar o caráter moral de seus filhos, sobretudo quando colocam os filhos em escolas religiosas, delegando a essas instituições uma tarefa que não podem cumprir, uma vez que as escolas hoje têm dificuldades até mesmo de cumprir com seu papel de transmissora do conhecimento, em decorrência da descrença de muitos alunos no processo educacional.

Sabemos que as diversas denominações religiosas oferecem educação moral, tais como: catecismo católico, escola dominical evangélica, evangelização espírita, entre outras, entretanto os pais abdicam dessa preciosa ajuda.

Quanto mais cedo se começar a apresentar princípios espirituais às crianças e adolescentes melhores resultados serão colhidos, posto que na idade em que se encontram são mais sensíveis e acessíveis as impressões que costumam receber, ou seja, sua plasticidade neurológica e emocional é mais suscetível ao aprendizado de tudo, inclusive e, sobretudo, de valores e condutas equilibradas. Ao se oferecer, durante a infância, um repertório de instruções morais e emocionais nobres que irão se contrapor às impressões desequilibradas do meio, estes jovens poderão controlar, evitar ou até suprimir tais comportamentos ante as lições recebidas, o que proporcionará um novo direcionamento na atitude desse jovem.

Não sejamos, pois, omissos. Todos temos sob nossas responsabilidades a educação moral dos filhos, preparando-os para se tornarem homens e mulheres de bem, renovados, melhores do que nós, mais éticos, cidadãos mais responsáveis, com consciência ecológico e social.

No livro de Eclesiastes (1.9) está escrito: “Lembra-te do Senhor nos dias da tua mocidade, antes que venham os dias em que digas não tenho neles contentamento”. Pois vamos nos lembrar de apresentar Deus e seus princípios aos nosso filhos na juventude deles, antes que venham os dias em que colheremos, com amargor, a taça da indiferença. Lembremos que nem sempre os pais sabem para onde ir, mas o que não se pode é deixar que o filhos decidam o caminho por si só.