[Dias Gomes]

Comentar A Invasão de Dias Gomes é antes de tudo um presente, uma obra produzida para o povo – Do Povo, para o Povo, sem Demagogia - retrata a necessidade de mudança que a sociedade brasileira necessitava no período considerado negro que se iniciou em 1964 com uma sociedade viciada políticamente e presa a uma dramaturgia tradicionalista sem renovação do aplauso fácil da classe rica.

Os reformuladores da sociedade dramatúrgica ganham nomes como Gianfrancesco Guarnieri, ao lado de Oduvaldo Viana Filho.  Moldam um novo teatro brasileiro com os moldes do Teatro Americano  de crítica social, é o STREET SCENE  ganhando espaço no Brasil. Três grandes autores despontam com um teatro novo de linguagem simples, sem um figurino exagerado e caro, uma linguagem direta à serviço das causa populares. Seu único e verdadeiro objetivo preparar o pobre para sua independência , mesmo tardia.

O Autor de O Bem-Amado, O Berço do Herói, Amor em Campo Minado, Campeões do Mundo, Decadência, Meu Reino por um Cavalo, Odorico na Cabeça, O Pagador de Promessas, As  Primícias, O Rei de Ramos, o Santo Inquérito, Sucupira, Ame-a ou Deixe-a nos deu também, A Invasão  que é uma peça de teatro – Dramaturgia BRASILEIRA – escrita em três atos e cinco quadros. “É um teatro engajado é a noção completada que um artista decente não pode furtar-se à sua contribuição inalienável à história. É também um teatro combatido, sobretudo censurado. Mas é o melhor e o único de temos necessidade”. A INVASÃO foi premiada duas vezes: Prêmio Padre Ventura, 1962 (CICT); Prêmio Cláudio de Souza, 1961 (ABL); Em 25/10/1962, foi apresenta pela primeira vez ao público, no Teatro do Rio de Janeiro, com os seguintes Interpretes:

Bené/Átila Iório ;Isabel/Jurema Magalhães ;Lula/Rubens Corrêa; Lindalva/Léa Garcia; Bola Sete/ Isabel Teresa ; Justino/Miguel  Rosemberg; Santa / Wanda Lcerda; Tonho/Joel Barcelos; Rita/ Mariangela; O Profeta – Marcus Miranda;
1º Tira/ Edson Batista; 2º Tira/Antônio Miranda; Mané Gorila/Jardel  Filho;  Inspetor/André Luiz; Deodato/Fábio Sabag; Cenário e figurinos/Anísio Medeiros; Música/Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes; Violão/Baden Powell; Direção/Ivan de Albuquerque.

No Primeiro Ato, a peça apresenta um grupo de favelados invadindo um edifício, em construção, abandonado. Devido as fortes chuvas que os  havia expulsado da favela.  Vieram em um desses caminhões denominados, no Nordeste do Brasil, de pau de arara. Sem opção de moradia Bené, Isabel e Lula iniciam propriamente a Invasão no Primeiro Quadro. Depois seguido de Justino, Santa, O Filho de Santa, Tonho, Malu e Rita. Já estavam lá fazendo amor Bola Sete e Lindalva que no início os confunde com a Polícia. Depois os outros vão chegando, O Profeta, no primeiro piso e a Invasão vai se dando gradativamente no Prédio abandonado. Vai se configurando o que os Moradores vão chamar de Favela do Esqueleto, muita gente pobre, negros, mulatos e muitos palavrões mesclados com desemprego e fome.

O Segundo Quadro é marcado pelos sonhos, Bola Sete sonha em gravar seu disco de Vinil, ser compositor, Bené que foi jogador de futebol joga suas esperanças no filho Lula ser descoberto por um olheiro do Flamengo num campinho próximo e tirar a família da miséria, mas seu destino era ser operário mesmo. Justino depois da fome na Cidade Grande sonha em voltar para sua terra. Malu é seduzida pela Cidade Grande, quer ficar e arrumar um homem rico, pobre não dá. Lula se apaixona por ela, ainda vai ao cinema com ele, mas pobre não dá. Rita que seguir os passos da irmã, O FATO MAIS EMOCIONANTE DESTE QUADRO é a morte do filho de Santa. Palavras do Justino “ Eu sabia que ele não ia aturar”. Diante da fome e da miséria que matou a criança ainda aparecem os Tiras para expulsar a todos, em menor número, recuam e Bola Sete e todos  os enfrentam. Eles dizem que chamar o Rabecão, saída honrosa para a polícia.

Três dias depois da invasão começa o terceiro Quadro do Segundo Ato da peça, Tudo está mais habitável, com exceção o quarto do Profeta, O Mané Gorila entra no primeiro piso, ele é o Cabo Eleitoral do Deputado Deodato Peralva, tem que tirar proveito do fato para as próximas eleições. Vivia explorando na Favela antes das chuvas e enchente, aqui não podia ficar de lado. Foi chegando assumindo o que restava, e como se fosse dono foi dizendo que o Deputado vai botar água, luz tudo direitinho. O Dono do Prédio toma conhecimento da Invasão, tenta a reintegração de posse, conflito de novo com a polícia e se mete Deodato Peralva cheio e promessas e enrola a todos.

No Quarto Quadro é o encontro de Malu e Lula, ele pede fazer amor com ela e montar um cantinho para os dois se ajuntar, mas ela recusa. Seu argumento é que seu ganho não dá nem para sustentar o Bené e a Isabel, imagine mais uma boca. Insiste em casar e ela recusa dizendo ser moça que o Deodato quer a mesma coisa que ele. Só que o Deodato vai dar a ela uma gaiola de luxo.

No Quinto quadro, passados dois meses, o Juiz está para assinar a ordem de posse para os favelados, Mané Gorila desentende-se com Tonho, por causa do material do barraco na favela que seus pais compraram ao Mané Gorila e não pagaram.

Seis meses depois, os apartamentos já tem portas, não são uniformes, mas são portas e janelas, O PROFETA ESTÁ PREGANDO É PRESO, Tonho o defende, não adianta tem que dizer onde está o Rafael. Todos ficam com medo pois assinaram um documento que o Rafael levou para o Juiz. Nova briga de Tonho com Mané Gorila, sobre a ída da sua família para Paraíba sem pagar o aluguel. Gorila tenta impedir, Tonho rasga-lhe a barriga com uma facada. Gorila cai no chão, Bola Sete chega gritando que conseguiu gravar seu disco de Vinil, está quentinho e bota para tocar no meio da confusão, chega a notícia de que Rafael está vindo com documento, todos são donos dos seus apartamentos, no meio da confusão os Tiras encontram o corpo de Gorila e saem loucos perdidos a procura do assassino enquanto todos dançam profusamente.

Referências Bibliográficas:

GOMES, Dias – A Invasão – 5ª Edição, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1998.