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Título do artigo:

O Discurso da Inclusão Homossexual

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por:

“Gays devem ser queimados com ácido como se faz com pneus velhos”
(BUJU BANTON, Cantor de reggae, 2006, p. 16).

 

A modernidade, segundo Bauman (2000), consiste num quadro de inerente “transgressão” (grifo do autor) que rompe fronteiras firmes e seguras. Porém, no que diz respeito à homossexualidade, esta ainda é, antes de tudo, interditada principalmente pela religião e pelas abordagens ditas científicas.

O preconceito se evidente no caso de Cynthia Nixon que, ao descobrir-se homossexual, disse: “Não me passava pela cabeça que eu tinha algo desse tamanho adormecido dentro de mim. Foi um susto, mas algo maravilhoso...” (2006, p.22). Ela expressa a surpresa de “desconhecer”, devido à “própria repressão”, a sua homossexualidade. Agora se diz prejudicada na carreira com essa opção (isto é condição). Quem a despertou foi uma mulher “fantástica” pela qual se apaixonou “perdidamente” (Idem). Para libertar algo tão grandioso somente alguém especial, do contrário continuaria latente, a não ser que, na surdina, evoluísse de tal modo que a arrebatasse de supetão. Enfim, a atriz do seriado Sex and the City já começou a ser punida, a pagar o preço pela sua revelação pública. Há uma corrente que instiga cidadãos comuns e celebridades a saírem do “armário”. Pelo exposto é compreensível que muitos mofem em tais utilitários, até porque isso não significa estar privado (a) da interação homoerótica.

Este fato foi citado porque atualiza a questão da segregação, mas o presente texto focalizará o preconceito na versão masculina. Esta parece mais emblemática devido à exigência social de que o homem confirme macheza. Embora as mulheres gays também sofram os revezes da discriminação, mas, por causa do seu lugar de “segundo sexo” (Beauvoir), as exigências sobre elas são menos agressivas, e isto gera menos ambivalência, além do que são mais “inteiras” e por isso mais corajosas, ou vice-versa, para assumirem-se, seja ou não em público, a sua homossexualidade.

Para Bauman (2000), o estágio final da modernidade ou para a condição pós-moderna não produziu maior liberdade individual (p.84). Não deixa de ser um contra-senso que, apesar da evolução tecnológica o homem ainda não tenha extirpado do seio das sociedades os preconceitos, entre os mais ferinos o racismo e a homofobia. Muito da discriminação homossexual tem sua força motriz nas religiões que, segundo Rodrigues (2004), com exceção do espiritismo, em princípio todas condenam a homossexualidade. Petry (2006) entende que a Igreja Católica talvez seja a instituição mais intolerante em relação à liberdade sexual. Nesse sentido, Jabor (2006) diz que o Cristianismo é um horror. E o Islamismo é um perigo. Exclui toda a possibilidade do outro ter razão (p.34).

Mas o ódio à homossexualidade nos diversos fundamentos sacros atinge seu apogeu, quando, por exemplo, noLevítico (1993: 113. Cap. 20, ver. 13) diz: Se também um homem se deitar com outro homem, como se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão mortos; o seu sangue cairá sobre eles. Rodrigues (2004) ressalta que no Mishná (200 d. C), primeiro texto que fixa os ensinos hebraicos, os amantes homossexuais são apedrejados, mas só o ativo é morto; enquanto que no Talmude, os dois são condenados à morte. Este autor conclui que “a cultura ocidental herdou esses princípios numa tal medida que eles permanecem vivos até hoje, alimentando a homofobia” (p.168).

Na perspectiva do social, no sexo vale tudo desde que entre gêneros diferentes. Mas, a Igreja, de modo geral, permite o sexo só enquanto função reprodutiva, e o condena como fonte de prazer. Para Agostinho a relação sexual, em especial, o prazer sexual, é o que transmite o pecado original. Essa hostilidade ao prazer é um legado gnóstico-estóico, que foi sobreposto ao Evangelho cristão (RANKE~HEINEMANN, 1996). Ainda que absurda a proibição do preservativo pela Igreja, está coerente com as suas bizarrices. Penso que à mesma caberia, apenas, zelar pelas almas dos fiéis, e não também de se apossar em administrar a vida sexual das pessoas. Richards (1993) salienta que a partir do século XIII a Igreja passou a regular a sexualidade, fez campanha contra os homossexuais, e sacralizou o casamento. Como é sabido, a Igreja Católica já usou o nome de Deus para cometer atrocidades, a exemplo da Santa Inquisição, e foi omissa aos milhões de assassinatos de Judeus e milhares de homossexuais no holocausto “debaixo do seu nariz”, o Vaticano.

Numa carta a Agostinho, Vita Brevis - que o chamava de Aurel, e com ele teve um filho, Adeodato (dado por Deus) -, diz: És tu que insistes em escrever sobre “concupiscência” quando tens em mente as delícias do amor. E o indaga: Algumas partes do corpo humano são menos dignas de Deus do que outras? Teu dedo médio, por acaso, é mais neutro que tua língua? Mas também o usavas! (GAARDER, 1997). Foi Santo Agostinho, esse homem conturbado entre o desejo da carne e o ofício religioso que se tornou o grande mentor da ideologia cristã.

Contrapor-se ao prazer sexual é ignorar essa disposição da espécie animal oferecida por Deus. O bebê sente satisfação não apenas em ser saciado, como desvendou Freud, mas também de sugar o mamilo. Aspecto relevante para o seu desenvolvimento físico, psíquico e mental. Os mamíferos chegam ao mundo, geralmente, pela vagina, parte inferior do corpo, região de maior prazer e descarga. Talvez, esteja aí a raiz da tacanha rejeição das religiões pelo sexo e o prazer. Para orifícios tão reles, somente o estritamente indispensável. Bataille (2004) afirma que Santo Agostinho insistia penosamente sobre a obscenidade dos órgãos e da função da reprodução: “Inter faeces et urinam nascimur (nascemos entre o excremento e a urina)” (p.88). Assim, para Jesus nascer de um parto normal, seria “demasiadamente humano” (Nietzsche). “Para Agostinho, só Jesus estava livre do pecado original, por ter vindo ao mundo sem qualquer ato sexual. Ou seja, através da concepção virginal” (RANKE~HEINEMANN, 1996: 91).

O termo homossexual foi criado em 1869, pelo médico húngaro Karoly M. Benkert. Para Green (2000), é um escritor vienense, e Mott (2003) diz que é o jornalista e advogado Kertbeny, com pseudônimo de Dr. Benkert. O termo gay (alegre) surgiu em 1960, nos E.U.A e na Europa, para substituir a denominação médica “homossexual”. No Brasil, as duas expressões conforme o contexto ou entonação podem adquirir denotações pejorativas, porém um pouco menos explícitas do que “bicha” e “viado”. Segundo Green (2000), o termo “bicha”- pederasta passivo - (termo do autor), seria uma adaptação aportuguesada do francês biche (corça), feminino do veado; e “viado”, pela comparação popular com o animal veado tido como mais frágil e delicado (Parker, 1991). Porém, a Cartilha ABC dos Gays (1996), diz que é apenas aqui que se faz esta associação, uma vez que, na Europa esse cervídeo é símbolo da nacionalidade de alguns países.

Embora a Associação Americana de Psiquiatria (APA), em 1973, - Bozon (2004), se refere ao ano de 1974 -, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1993, tenham retirado à homossexualidade da categoria dos transtornos mentais. Todavia, a maioria das sociedades tem a homossexualidade como uma aberração, uma doença contagiosa que deve ser exterminada junto com o seu portador. Em março de 1999, a então presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Ana Bock, instituiu a resolução (no 001/99) que proíbe os psicólogos de tratar a homossexualidade como doença: “Se um psicólogo afirmar [...] que homossexualidade é doença [...] poderá ser processado e ter seu exercício profissional suspenso” (Bock, 2000, p.14). Para Barbero (2005), o CFP não fez senão ratificar com esta resolução as mudanças acontecidas nos manuais descritivos da Psiquiatria (p.106). Embora se trate de uma imposição, e não da compreensão da homossexualidade, deve se reconhecer essa contribuição, pelo menos pode evitar maiores estragos.

A academia das ciências sociais, não envereda em estudos sérios sobre essa questão. Quando se atrevem rodopiam em discursos sobre cartografias sem bússolas. Enquanto isso as ciências médicas buscam, incessantemente, dados hormonais, orgânicos ou alguma anomalia no cérebro que justifique a homossexualidade como patológica. Para que, assim, possam encontrar uma pílula para a sua “cura”. Segundo Burr (1998), Hamer teria descoberto um suposto gen gay: Gay-1 e Xq28. Para Wright (2006: 348), há evidencias que indicam que alguns genes têm maior probabilidade de conduzir à homossexualidade do que outros. Mas isso não significa que exista um “gene gay” (grifo do autor). A homossexualidade não é uma opção, mas uma condição bio-psico-social e cultural. Em quase todas as culturas o machismo é sutil ou escancaradamente aderente. Por isso, o gay é execrado na maior parte do planeta, sim. E pouco adianta dizer que a homossexualidade não é doença, quando não há dado científico para uma demanda que exige prova. Assim, permanece a influência da moral religiosa que afirma de modo radical que a homossexualidade é um vício, uma aberração, uma anomalia que deve ser combatida, além de punida (RODRIGUES, 2004). É pertinente indagar o (s) motivo (s) de uma conduta sexual gerar tanta inquietação, e ser objeto de perseguição e morte aos sujeitos com esse signo? Certamente, por se imaginar que, sem a repressão, a homossexualidade pode servir de chamariz para a tão temida debandada heterossexual.

A ciência, ou melhor, os postulados freudiano e lacaniano, do contrário que insistem alguns dos seus seguidores, por vezes confusos, parece mais contribuir para discriminar do que para atenuar a homofobia. Com base em Freud, Roudinesco (2002), diz que o homossexual é mais trágico do que o neurótico comum, seu único recurso é tornar-se criador a fim de assumir o seu próprio drama. E acrescenta: O homossexual freudiano é um sujeito civilizado do qual a civilização precisa porque encarna o sublime. Se o homossexual é mais trágico do que o neurótico, como ele pode ser sublime? E por que sublime? Se através da criação o homossexual seredime” da sua homossexualidade, então todos os gays seriam criativos. E os bissexuais e heterossexuais que arranjo fazem para ter criatividade? Na famosa carta à americana mãe de um homossexual, Freud (apud GAY, 1989), diz que a homossexualidade não é uma vantagem, mas também não é nada de se envergonhar, não é uma doença, mas uma variação da função sexual, produzida pela suspensão do desenvolvimento sexual. Como pode ser encarado de normal um processo em cujo fluxo do seu desenvolvimento tem uma “parada”?

Roudinesco (2002), diz que é interessante notar que Freud, esse grande descobridor da sexualidade, não foi libertino nem transgressor (p.45). E daí, que mérito tem isso? Talvez, por isso mesmo, ele tenha tido alguns deslizes que Foucault, por conhecimento de causa, dificilmente cometeria. Ainda para esta autora, Lacan reintroduz a homossexualidade na categoria, não das perversões, mas de uma estrutura perversa. Para Lacan, o homossexual é um perverso sublime da civilização (p.49). Ou seja, Lacan tenta novamente com essa história do sublime, amenizar a intensidade dessa perversão. Se o homossexual é esse necessário sublime, por que a civilização assim não o reconhece? Sublime e perverso são termos antagônicos, como aceitá-los num mesmo “pacote”? Certamente, Freud e Lacan tentaram “vender” uma homossexualidade com “avaria”, uma vez que o perverso, de acordo com estes argumentos, é o aspecto reinante da homossexualidade. Como diz Barbero (2005), na psicanálise a perversão está tão intricada nas questões homossexuais, que não se pode procurar uma sem encontrar a outra.

Para Roudinesco (2002), Freud e Lacan mantém essa palavra esvaziando-a de todo e qualquer conteúdo infamante, e que Lacan também não é homofóbico quando faz do amor homossexual uma perversão... (p.52). Lacan diz que o homossexual é perverso, bem como o heterossexual. Mas, atribuir perverso ao heterossexual não tem o mesmo peso que ao homossexual que é, por essa sexualidade, marginalizado. Ou seja, não Cola. De modo depreciativo, Meira (2004) afirma que a maioria dos homossexuais perversos, em período de “caça” desenfreada são movidos pela compulsão irresistível a se oferecer como “buracos” a qualquer falo (grifos da autora). Também seriam perversos os heterossexuais e os homossexuais “ativos” em situação idêntica com compulsão à penetração? Ou isso conotaria um sintoma de macheza? Enfim, todo esse sublime de Freud e Lacan, esbarra na perversão, e querer esvaziá-la do seu ranço homofóbico é o mesmo que, como diz o dito popular, “Querer tapar o sol com a peneira”.

A sexualidade não é estanque, cristalizada. Freud (1905-1989) ressalta que, o interesse sexual exclusivo que os homens sentem pelas mulheres é também um problema que exige esclarecimento (p.137). No que é reforçado por Cucchiari (1996) de que a sexualidade é de natureza plástica e bissexual, e que a heterossexualidade exclusiva é numa restrição à sexualidade (p.107). Neste imaginário há uma crença na pureza das condutas sexuais. É inconcebível pensar que o homem que tem mulher, queira ter sexo com outro homem, e de que o homossexual assumido é incapaz de transar com o sexo oposto (SILVA, 1999). Isto ocorre com homossexuais heterofóbicos (Costa, 1994). Deleuze (1992: 21) diz que é preciso pensar em termos incertos, improváveis [...] nenhuma bicha jamais poderá dizer com certeza “eu sou bicha” (grifo do autor).

No entender de Nasio (2003), a atividade bissexual não é o reflexo da bissexualidade natural, mas sim a expressão de uma homossexualidade. [...] As pulsões homossexuais triunfam sobre o ecletismo bissexual (p.55). É verdade que muitos homossexuais passam por heterossexual e bissexual, mas não teria, de fato, indivíduos bissexuais? Mas, alguns homens com vida dupla, não abrem mão de suas parceiras. McDougall (1997: XI) diz que a obrigação de chegar a um acordo com o destino monossexual de cada um constitui uma das mais graves feridas narcísicas da infância. Mas por que teria de “escolher” entre a heterossexualidade e a homossexualidade? De acordo com alguns autores, essa polaridade exclusiva seria “desviante”. Afinal, cada ser humano tem uma composição hormonal e psíquica dos dois gêneros. Assim, seria mais coerente ter o ser humano mais na perspectiva do híbrido do que puro. Então, “normal” seria a bissexualidade!?

Condenar a homossexualidade contradiz o princípio bíblico de amor ao próximo. A não ser que este próximo, imagem e semelhança de Deus seja apenas o heterossexual, único dignificado? Se Deus é amor, em qualquer relação que esse sentimento estiver presente, por ele será legitimado. Um heterossexual mau caráter é tão pecador quanto um homossexual de caráter parecido. Idem, caso também sejam “santos”. A questão sexual não importa para Deus, seu compromisso é com o espírito, prova disto é que Jesus fez da prostituta Madalena, uma Santa. O sexo interessa aos homens das Igrejas, de maioria conservadora e machista, que vive o conflito de não canalizar adequadamente a própria libido. É uma hipocrisia tentar reduzir o sexo à função reprodutiva, uma violência. Um corpo sexualmente reprimido não pode ser o “templo” de um espírito feliz. Este não deixa de se elevar por causa do gozo, do contrário, ajuda. Assim, as Igrejas que permitem o casamento dos seus representantes, parecem menos dissimuladas porque não tem o prazer, no caso heterossexual, como pecado. Ser a favor da repressão é oportunizar a doença, pois um sujeito recalcado não está bem consigo, com o entorno, nem com Deus. Não raro religiosos são manchetes na mídia do mundo inteiro por causa das suas taras, entre as mais frequentes a pedofilia homossexual.

Quase todo indivíduo carrega o ônus da culpa do prazer sexual por causa dos ditames religiosos. Essa ideia do proibido parece ter se fundido nos globos vermelhos de quase todos os povos. Bauman (2004) diz que nenhuma união de corpos pode, por mais que se tente, escapar à moldura social e cortar todas as conexões com outras facetas da existência social (p.69). Nem os libertinos estão livres da culpa, talvez a promiscuidade seja uma tentativa vã de expiar essa angústia por meio do prazer descompromissado. Se o prazer sexual, de fato, fosse pecado, Deus teria feito do homem um incapaz para o gozo. A ejaculação se daria sem o intumescimento do pênis e pico de excitação. Ou seja, a fecundação ocorreria do contato flácido do pênis com a vagina. Assim como, todo indivíduo teria um chip que, naturalmente, repeliria “o desejo pelo mesmo sexo”. Os Antigos gregos tinham razão, a libido não tem “código de barra”, por isso pode ser despertado pelo belo na pessoa do macho ou da fêmea. O choque da união homossexual vem do social, que formata as mentalidades para com qual gênero o sexo biológico deve sentir prazer e se acasalar.

Mas, a fisiologia humana tem o que chamo de alternativos intrigantes. Na mulher, o clitóris é um pequeno órgão de intenso prazer que a desobriga da penetração para atingir o orgasmo; e o discutível ponto G do homem fica por baixo da próstata. Segundo Gikovate (1989: 140) o orifício externo do ânus é região muito sensível a estímulos eróticos, assim como a região inicial do reto onde está a próstata. Por esta segunda razão, a penetração anal é mais agradável para os homens do que para as mulheres (grifo nosso).

Dizer que não é contra ao homossexual, mas a homossexualidade não muda em nada, é apenas um trocadilho para não assumir o preconceito. O homossexual não precisa do perdão ou da aprovação da religião para vivenciar à sexualidade. Como diz Bauman (2003: 58) ninguém impede ninguém, de ser o que é e ninguém parece impedir ninguém de ser diferente do que é, mas pode dificultar (grifo nosso). A condenação eclesiástica é forjada no preconceito, e, assim, demonstra toda sua desumanidade, pois atiça a intolerância real ou simbólica contra os homossexuais. E, de um modo geral, provoca sofrimento psicológico no masculino. Não falo da homossexualidade explícita, mas do desejo homoerótico que transforma o sono de muitos homens em pesadelo, devido à essa culpa e medo. Freud (apud MEIRA, 2004), diz nunca ter analisado nenhum homem que não tivesse uma considerável homossexualidade. Para Nasio (2003: 54), “todos os homens, sem exceção, têm tendências homossexuais” (grifo nosso).

No entender de Richards (1993), os estereótipos são um meio de dar sentido a um universo desordenado, impondo ordem, definindo o eu, personalizando os temores (p.29). O homossexual é esse “estranho” que não chega nunca, que não se fixa e que desassossega o social com seu potencial de metamorfose que pode oscilar entre o masculino e o feminino. A perspicácia de Trevisan (2002) diz que o homossexual coloca a masculinidade em questão, e a denuncia como insustentável, e assim, abre espaço para o diferente, e desse modo se constitui num signo de contradição para a normalidade, um desejo, um devir como afirmação de uma identidade itinerante.
Para Butler (2003), o gay é para o heterossexual cópia da cópia, e não uma cópia do original. Mas, as coisas não são tão simples assim, em países de cultura machista os homossexuais são discriminados e perseguidos sim, e, muitas vezes, levados à morte. Porém, a intensidade do preconceito recai sobre o que Goffman (apud BAUMAN, 1999) chama de “visibilidade do estigma”, sinais corpóreos que indicam, para o senso comum, inferioridade de caráter ou fraqueza moral. Em outras palavras, sobre o efeminado. O estigma quando é conhecido ou, de imediato, reconhecido, afasta as pessoas do estigmatizado, que não mais o percebem com outros atributos, e ele passa a ser descreditado (GOFFMAN apud SEFFNER, 2003). Ou seja, o homossexual “visível” é eclipsado por sua homossexualidade.

Mas, no universo gay, entre outras, há uma discriminação que denomino de segunda ordem. É do gay que apresenta “fachada” - equipamento expressivo intencional ou inconsciente empregado pelo indivíduo durante sua representação (GOFFMAN, 1985), de viril, suposto ativo, para ficar incólume à discriminação. Esse tipo, meio neurótico por investir muita energia em manter tal artifício, ojeriza o “visível”, ou o gay discreto que transita nos espaços GLST (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros). Para este imaginário o “passivo”, devido a esta condição, não teria características do macho típico (SILVA, 1999). Por isso a funcionalidade da “fachada”. Ser gay também é uma construção, o sujeito pode negar sua tendência, se permitir com ou sem trejeitos. Muitos homossexuais são casados, tem filhos e não são necessariamente infelizes, ou suas parceiras menos satisfeitas do que as outras mulheres. Muitas sabem, e fazem “vistas grossas” para essa questão. Segundo Trevisan (2002), no Nordeste, onde o machismo chega a criar situações trágicas, é surpreendente o número de homens casados e com vida sexual dupla (p.56), e de rapazes que fazem michê (se prostituem).

As sociedades permitem ao homossexual uma concessão mal definida, mas não o direto de igualdade, a exemplo de que não é livre para expressar em público, dentro dos limites que são permitidos aos heterossexuais, os seus afetos. No ano de 1999, em São Paulo, o adestrador de cães Edson Neris da Silva foi espancado, por skinheads, até a morte devido a um simples afago no parceiro. Nas democracias que pregam direitos de igualdade e liberdade, dizer que a aceitação homossexual tem melhorado no sentido de se contentar com isso, é aceitar que somente a condição heterossexual seja a única privilegiada, pois “esquece” que na hora dos impostos, de todos são cobrados às mesmas taxas.

Se divertir com o gay caricato não significa tê-lo aceito como cidadão, que ainda luta pelo essencial modo de viver: sem opressão, casar, adotar filho, etc. O heterossexual por mais medíocre que seja, nessa cultura, adquire ares de superioridade sobre o homossexual, que “é colocado em patamar inferior ao feminino da mulher” (SEFFNER, 2003: 126). A alegoria da homossexualidade faz com que os pais, em razão disso, temam que os filhos crianças e adolescente se “desviem” diante de qualquer provocação. O perceber-se homossexual, em geral, é um processo lento de luto, com revolta, culpa e negação, bem como de tentativas para cumprir seu devir de macho viril e reprodutor, que a esse papel está condicionado. Como diz Nolasco (1986), não constitui uma tarefa muito fácil renunciar a uma representação de si com qualidades extraordinárias, promessas grandiosas que, ao longo dos anos, serviram-lhes de modelo.

Assumir-se gay é mais do que uma “traição” à masculinidade, é uma denúncia da “falha” do poder gerencial da família, escola e Estado. O deslize do domínio sobre o corpo, a saída de “ordem” que não foi possível estancar, e que não sabem lidar com isso que não seja por meio da exclusão. O preconceito é uma herança cultural, a criança aprende a discriminar. Diria que o capitalismo instaura referências e valores que dão margens à discriminação. A escola não ensina a compaixão, mas a competição. Diante da sua insegurança o púbere e o adolescente logo aprendem a eleger seus bodes expiatórios e a triunfar sobre eles para se sentirem poderosos. O que não será difícil de reproduzir essa mesma estrutura na vida adulta.

No cotidiano das sociedades a homossexualidade, por vezes, parece um “mau” que tem de ser extirpado porque denuncia uma “falta genética” da espécie humana. O sexo é simples na sua prática restritamente animal, mas numa relação à sexualidade é complexa porque vai além dos genitais, uma vez que envolve subjetividades, afetividades e políticas. Se a heterossexualidade dita normal, aprovada e promovida é um manancial de desencontros e complicações; a homossexualidade que é condenada não poderia deixar de ser, de algum modo, afetada. Considerado o contexto da sua ilegalidade, até que não seria de se estranhar que a mesma fosse, de fato, anormal.

A televisão brasileira, por exemplo, é pródiga em achincalhar o homossexual. Um apresentador, que se julga insuspeito da sua condição sexual, adentra as madrugadas de segunda à sexta feira, com piadas sobre gay que arranca de detalhes à toa, para fazer seu público “cair” na gargalhada. Além de ler os e-mails, nesse sentido que são enviados pelos telespectadores. Ele também não perde a chance de chamar, seja um seu auxiliar ou qualquer homem da platéia, de viado. Seus músicos, vez por outra são colocados em situações que os afeminam. Isto, no entanto, não os constrangem pelo cinismo que lhe são peculiares. Quem assiste a esse programa, vai para cama com a cabeça cheia de “tiradas” que favorecem atitudes de desrespeito e indisposição para com os homossexuais. No final de semana, outras audiências cuidam de arrematar o gay caricato. Parece até que o humor dessas emissoras só tem verve para escrachar a homossexualidade, e assim banalizar o preconceito. Na visão de Guattari (2005), é necessário que se arranjem modos de expressão adequados às fantasmagorias negativistas e destrutivas (p.42).

Assim sendo, romper as resistências para se reconhecer gay não pode ocorrer sem sequelas de baixa auto-estima. No aparente feliz, do universo gay, pode conviver sutis indícios de culpa. No sexo promiscuo, pode está o ensejo para a autopunição, se deixando vulnerável às doenças, e às situações de violência. Em nível do inconsciente, essa desrepressão sugere aliviar a culpa, da qual “sair do armário” não significa está imune destas ambivalências. Adam e outros (apud BOZON, 2004), ressaltam que o fim das discriminações legais é bem menor do que as reais em de seleção para emprego e em local de trabalho, e que os homossexuais jovens experimentam mais depressões e tentativas de suicídio.

A linha que separa as sexualidades é, por demais, tênue. Mas o homem seguro da sua heterossexualidade, não se sente ameaçado com o diferente, não odeia e/ou persegue homossexual. Até acha engraçado que, um homem igual a ele, não tenha a mulher que ele tanto aprecia como objeto sexual, mas um outro homem. O mesmo é válido para as mulheres heterossexuais em relação às lésbicas. Como diz Guattari (2005), é preciso respeitar a ecologia social, trabalhar na reconstrução das relações humanas em todos os níveis do socius, ou seja, meio ambiente, relações sociais e subjetividade humana. Quanto mais inseguro da sua masculinidade, mais o heterossexual evita contato seja formal ou de amizade como o homossexual, discrimina e, por vezes, o persegue. Inculca com o que os outros possam vir a pensar dessa proximidade, acredita que todo homem desperta tesão no homossexual, e ele próprio teme que possa vir a sentir algum desejo homoerótico. Para afastar estes “fantasmas” usa o homossexual como saco de pancadas para resguardar sua masculinidade. Quando mais ataca mais se “desvencilha” das dúvidas que o corroei. Portanto, a aversão é a saída para se garantir de qualquer risco.

Segundo Louro (2001), a heterossexualidade é concebida como “natural” e também como universal e normal (p.17). Se a heterossexualidade é “natural”, por que então se desprende tanta vigilância e incentivo à mesma? Mais do que o feminino, o masculino é uma construção, até porque a sexualidade é plástica, por isso todo esse trabalho para que não “desmorone”. No entender de Seffner (2003) a sociedade representa a si própria como efetivamente heterossexual, e reserva a esta orientação a maioria dos privilégios (p.106). Este autor questiona se a heterossexualidade é tida como normal porque é majoritária, ou, visto por outro ângulo, a heterossexualidade é majoritária porque é considerada normal? (p.107). A primeira alternativa parece fazer mais sentido, a exemplo de que a televisão mostra tórridas cenas de erotismo em horário nobre que não tarda para ser reprisadas na sessão da tarde, o que expõe as crianças a uma intensa carga de estimulação sexual precoce. Nos finais das novelas as personagens, além de posarem com bebês nos braços ainda se mostram grávidas. Mesmo com a explosão demográfica, e milhares de meninos (as) na rua e da rua abandonadas, fazem um apoteótico culto à fecundação. As propagandas estão saturadas de mulheres semi-nuas ou peladas? Se esse enaltecimento correspondesse à realidade da mulher, toda ela seria bem amada. Há alguma coisa que não se encaixa nessa construção?

Este país tido como liberal, entretanto imoral é o “beijo gay” que jamais foi mostrado na telinha. Isto seria, por demais, agressivo à sensibilidade do telespectador, que tem “estômago” para vê e sentir a violência no seu dia a dia, mas não a manifestação do amor pelo viés da homossexualidade. O mais grave não é o fato de mostrar ou não. Mas de criar expectativa e, depois, apenas insinuar. Assim, inscreve a homossexualidade na “anormalidade”. Não houve protesto, e o silêncio compactuou com o suposto ofensivo do qual o público foi poupado. Como diz Bourdieu (1997), é preciso refletir sobre o moralismo das pessoas de televisão: frequentemente cínicas, proferem palavras de um conformismo moral absolutamente prodigioso (p.65). Quantas novelas terão que ser consumidas para aparecer o tal beijo? Parafraseando Wilde, diria que desse amor que ousa se dizer o nome, mas ainda não de mostrar a sua cara. A concessão social somente permite “tal indecência” na avenida, em clima de carnaval, no Dia do Orgulho Gay. Talvez o orgulho esteja no fato de que nesse dia pode beijar.

Neste evento se festeja a liberdade concedida por um dia, e sugere as condutas sexuais como excludentes: os heterossexuais (“normais”) que assistem eles, os homossexuais (“anormais”) quando se abrem as comportas da repressão para um oceano de exóticos se esbaldarem em via pública. As passeatas, como acontecem não se traduzem em respeito e conquista de direitos reais. Parecem mais que reforçam os estereótipos homossexuais, colorem e acentuam a sua representação como devassos, famintos sexuais ensandecidos pela exposição. Nenhuma sexualidade é motivo de orgulho, este supõe a posse de algo ou de alguma coisa de reconhecido valor. A sexualidade é uma vivência, e não uma competição, ou vantagem sobre o outro, a única vitória, devido à discriminação, é consigo mesmo, uma questão de identificação e aceitação. Portanto, não há do que se orgulhar: Uns gostam de ostra e outros de escargot.

Na visão de Corneau (1995), nem todos os homens são homossexuais, mas em razão da ausência do pai todos trazem consigo um desejo homoerótico (p.48). Talvez por isso, a homossexualidade parece exercer uma certa atração, e ao mesmo tempo repulsa em muitos heterossexuais. Onde têm machos paira o desejo subliminar da homossexualidade. Não é à toa que nesses grupos há constantes brincadeiras de provocações e bolinações para testar a masculinidade do outro, para provar que o outro pode se revelar menos macho. Outro dado curioso, é que todos sabem das dimensões dos bem dotados. Agar e Freud dizem que os homens têm dificuldade para saber a verdade sobre si, na maioria dos casos, essa verdade que os torna livres, porém, eles preferem não ouvir (apud BAUMAN, 2000; WRIGHT, 2006).
Chamo a atenção para a inveja do recalcado, ele odeia o outro que goza do que ele não se permite. O gay manifesto é um afronta a repressão desse desejo. Por isso, a perseguição, as críticas, a violência direta ou sutil. O crime de ódio ou homofóbico, geralmente é praticado por homossexual que ostenta a “fachada” de macho, mas que vive em intenso e profundo conflito com a homossexualidade. Não se aceita homossexual embora, na maioria das vezes, esteja inserido na “invisibilidade” da prática homoerótica como suposto “ativo”. Para se vê livre dessa ameaça, os mais comprometidos dão cabo do estímulo, mata o homossexual com qual simulou uma relação ou negociou algum michê (pagamento). Por algum tempo vão se sentir aliviados com essa catarse de ódio, porém, se não houver um esforço para elaborar o recalque, para se apaziguarem com seu homoerótismo, logo emergirá a fúria diante de um novo “incomodo”. Ou seja, a ação assassina, na realidade é a tentativa de sufocar a auto-expressão da homossexualidade latente, diga-se de passagem, “passiva”, espelhada na figura do outro. Como dizem Mello et al.(2004), o parceiro que desempenha a posição ativo, que numa primeira instância, faz crer que, mesmo gozando com o mesmo sexo, assuma uma posição masculina diante do outro (p.276).

Enquanto caricato o homossexual é tolerado, pois é um “não homem”, um “homem em falta”, e assim atenua à afronta, e acentua o abismo das “diferenças”. Uma maior visibilidade, não quer dizer aceitação, ou que o homossexual deixou de ser discriminado. Caso fosse, o Brasil que tem a maior passeata gay do mundo, não séria também “o campeão mundial de assassinatos de homossexuais” (MOTT, 2000; MOTT e CERQUEIRA, 2001, apud CARRARA e VIANNA, 2004: 365). De acordo com os dados do Grupo da Bahia (2004), a região do país onde mais se mata homossexual, é a Nordeste (51%), e os Estados da Federação são os seguintes: Pernambuco (16%), Amazonas (13%), Rio de Janeiro (12%) e São Paulo (11%). No ano de 2004 foram assassinados 118 gays, 1 bissexual, 4 lésbicas e 35 travestis. Estes são os casos registrados, porém nem todos são notificados. Devido ao estigma, muitas famílias são coniventes com a impunidade por não clamar por justiça. Discriminar o homossexual deve constituir-se em crime tal como já se instituiu, com atraso secular, o Crime por Racismo. A maioria dos assassinatos de gays é por preconceito maquinado na estupidez e na intolerância social que, de modo implícito, autoriza à matança de homens por causa da sua sexualidade “divergente”.

Para Mello et al. (2004), é fato que numa relação entre dois homens, um se posiciona passivo. Esta conclusiva é mais folclórica, por conta da valoração da penetração, do que corresponde à realidade. Uma vez que se considera que a relação homoerótica teria de reproduzir o modelo heterossexual dominador/dominado, onde um representaria a mulher (passiva) e o outro o homem (ativo). A questão “passiva” é tão desprezível que nos crime de lucro e ódio, segundo Carrara e Vianna (2004: 372), é de fato notável a insistência com que policiais e agentes da justiça procuram determinar quem era “ativo” ou “passivo” nas relações sexuais que contextualizam os crimes em questão (grifo dos autores). No caso de assassino com “fachada” de macho, para o senso comum isso funciona como uma espécie de álibi, para o qual ele prestou um serviço de higienização à sociedade. Ainda para Carrara e Vianna (2004: 372), algumas vítimas passivas em relação a seus algozes, são antes de mais nada “vítimas” de seu desejo sexual, que aparece como “degenerescência”, “anomalia”, e principalmente “fraqueza” (grifos dos autores).

Na visão de Lipovetsky (2005), a sociedade pós-moderna tem todas as opções e níveis diferentes que podem conviver sem contradição. Isto está no campo do idealizado. Minoria é minoria em qualquer parte do mundo, e a intolerância é a mesma para todos os grupos discriminados. A tolerância é uma concessão que pode ser interditada quando convier ao seu emissor. O homossexual não precisa de concessão para viver, pois devia ter esse direito garantido por Lei igual a qualquer outro cidadão. Ninguém tem que aceitar o homossexual, mas de respeitá-lo enquanto ser humano. Para Blanchot (apud SILVA, 2005), fazer pedagogia é procurar acolher o outro como outro, estrangeiro como estrangeiro, só assim é possível conservar a afirmação que lhe é própria. Segundo Wittig (apud BUTLER, 2003: 41), a derrubada da heterossexualidade compulsória irá inaugurar um verdadeiro humanismo da “pessoa” (grifo da autora) livre dos grilhões do sexo.

Finalmente, as referências utilizadas para se fazer reféns de preconceito não tem consistência, mas funcionam muito bem para esse fim. Com a pluralidade dos discursos e a humanização das diversidades, espera-se que, não só os homossexuais, mas que também todas as minorias possam comungar da produção e convivência pacífica em todos os desdobramentos sociais. Porém, o preconceito contra o homossexual é cíclico, ora mais sutil ou simbólico; ora mais corrosivo, mediante o contexto social e político. Mas, não acaba nunca porque “a homossexualidade é a expressão de uma tendência universal existente em todos os seres humanos, decorrente de uma predisposição bissexual enraizada” (MARMOR, apud RODRIGUES, 2004:157), e o padrão de masculinidade é construído não em oposição à feminilidade, mas com o intuito de impedir a homossexualidade (GIKOVATE, 1989). Daí a homofobia. Somente o direito de igualdade, punição à discriminação, exemplos de decência dos discriminados, e pesquisas, poderão depurar esse ranço em gerações vindouras. Do contrário, o homossexual será o eterno excluído porque a construção da masculinidade é insustentável.

Livro do Autor Valdeci Golançalves

REFERÊNCIAS



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