Conceitos básicos de administração financeira

A administração financeira visa a uma maior rentabilidade possível sobre o investimento efetuado pelos sócios ou acionistas, através da melhor utilização de recursos, de modo geral, escassos. Por isso, todos os aspectos de uma empresa estão sob a ótica da administração financeira.

Dependendo do nível em que estivermos atuando, a administração financeira pode ser muito complexa. O que não será o nosso caso. Trataremos de conceitos básicos que todo empreendedor individual, micro e pequeno empresário deve saber.

Levando em conta empresas já em pleno funcionamento, encontraremos na maioria delas poucos controles financeiros efetivos. E será sobre esse assunto de fundamental importância que iremos tratar.

O estoque é tão importante que todo empreendimento deveria designar um “ministro”. O ministro do estoque. É nesse setor que os empreendimentos começam a encontrar problemas crônicos. Estes se refletirão no financeiro: capital de giro, contas a pagar, investimentos e depois na vida pessoal dos sócios. Vejamos o porquê disso.

Para que o estoque seja bem administrado é preciso que tenhamos a Curva ABC. Esta curva consiste em listar em ordem crescente ou decrescente (opção do gestor) os produtos que têm participações maiores, medianas e menores tanto em faturamento quanto em volume de vendas. Assim, nela encontraremos os produtos que respondem pelo maior volume de vendas e faturamento; estes não podem faltar. Com base nesses dados faremos as programações de compra e venda. Haverá sempre a necessidade de um estoque mínimo. Mas apenas o suficiente para a empresa suportar um possível atraso na entrega de seus fornecedores. Nada de comprar exageros.

Alguns empreendedores acham que se o estoque estiver baixo isso é sinal de que o negócio vai indo mal. Não pega bem junto aos clientes. Ora, o estoque precisa de rígido controle, não necessariamente ser lotado até o teto. O que não pode acontecer é faltar aquele produto responsável pelo maior faturamento da empresa. A Curva ABC serve para dar esse norte para a empresa. É um belíssimo relatório financeiro.

A compra de matérias primas ou produtos acabados em excesso traz diversos inconvenientes. Entre eles, o principal é o comprometimento do capital de giro. Afinal, estoque parado é dinheiro que não rende. E esse dinheiro “congelado” fará falta em algum outro momento.

Com necessidades de caixa, o gestor buscará socorro junto a bancos, financeiras ou agiotas (isso é muito mau), descontando cheques ou duplicatas. Mas o pior de tudo é quando usa o limite de cheque especial e de cartão de crédito, tanto de pessoa física como de jurídica. Com a chegada do desespero, é muito comum o empreendedor tomar medidas precipitadas, impensadas. Essas poderão levar péssimas consequências ao prosseguimento do negócio.

Outro ponto importante é a conciliação bancária, contas a pagar e a receber.

Tendo um controle aperfeiçoado sobre o fluxo de caixa, a empresa saberá com antecedência quando haverá sobra ou falta de dinheiro. Com isso, sua programação financeira será realista. Nunca se esquecendo de usar o princípio da prudência: pagará tudo e não receberá nada. Assim, o empreendimento deve contar com um volume tal de recursos que possa suportar todas suas despesas fixas. Além das variáveis (afinal, houve vendas) e com fornecedores (houve compras). Mas se houver excesso no estoque...

A melhor maneira de se financiar a custo baixíssimo é através de seus fornecedores de produtos (matéria prima, produtos acabados, maquinários etc). Não que as vendas a prazo não possuam juro embutido. Geralmente há. Entretanto, se houver diferença entre os valores à vista e a prazo, essa diferença será lançada como despesa financeira, e não como custo.

Custos é uma arte. E como tal deve ser tratada.

De nada adianta uma produção otimizada, a melhor força de vendas, logística impecável, recursos humanos bem treinados e motivados se o preço praticado estiver com sua formação errada. Poderá estar vendendo muito e tendo até mesmo prejuízo, como vendendo abaixo do que poderia justamente porque o preço está superavaliado. Com isso não consegue ganhar mercado. Perdendo faturamento e lucro. Que é o que um negócio deve gerar para seus sócios ou acionistas.

Muitos empreendedores compram determinado produto e colocam, por exemplo, um mark up de 2,00, ou seja, acrescentam 100% sobre o preço de custo. Isso apenas na intuição. Quando o correto é fazer uma planilha de custos. Nela, serão colocados os custos fixos e variáveis acrescidos da margem de lucro desejada. Entre os valores em percentuais que devemos lançar nessa planilha estão as despesas administrativas, comerciais, custos de produção (indústria)/comercialização (comércio e serviços), os impostos sobre a venda (ICMS, PIS/COFINS) e, é claro, a margem de lucro. Podemos dizer que preço = custos + despesas + lucro. Assim, o preço alcançado será aquele que atende os objetivos da empresa. A partir daí, comparações com a concorrência poderão ser feitas.

Após a elaboração dos custos haverá o controle sobre o lucro, que se destina a corrigi-lo quando o mesmo é insatisfatório. Ou seja, se a meta não for alcançada, correções de rumo precisarão ser efetuadas. Sejam elas nos custos, nas despesas ou no lançamento ou extinção de produtos/serviços. Por outro lado, se o lucro desejado for atingido, a empresa deverá se esforçar ainda mais para que no próximo exercício financeiro esse resultado positivo se repita. O controle deverá ser ainda mais rigoroso na administração financeira do empreendimento. Afinal, o novo ditado é “em time que está ganhando também se mexe”.

As micro e pequenas empresas são 98% daquelas em atividades, empregando 67% da mão de obra, tendo participação de 20% do PIB.

Segundo dados da pesquisa SEBRAE SP referente ao ano de 2004, 29% das empresas não chegam a concluir o primeiro ano, 42% não atingem o final do segundo ano, 53% encerram suas atividades antes do fim do terceiro ano, 56% não ultrapassam o quarto ano, percentual que se repete ao final do quinto ano.

Essa mesma pesquisa detectou as principais causas da mortalidade das empresas abertas na JUCESP entre 1999 e 2003:

  • características empreendedoras (conhecimentos, habilidades e atitudes insuficientes);
  • falta de planejamento antes da abertura;
  • falta de políticas de apoio (peso dos impostos, burocracia, falta de crédito e de política de compras governamentais).
  • baixo crescimento da economia (demanda fraca e concorrência forte);
  • problemas de saúde, particulares, com sócios, de sucessão e a criminalidade prejudicam o negócio; e
  • deficiência na gestão do negócio, após a abertura (ex: aperfeiçoamento de produtos, fluxo de caixa, propaganda e divulgação, gestão de custos e busca de apoio/auxílio).

Os números apresentados acima são assustadores. Por isso, não caia na mesma armadilha. Planeje bem seu negócio. Se precisar de ajuda, procure. Não seja orgulhoso.

O sucesso será consequência de uma boa administração financeira.


Últimas Notícias

IBGE prevê cerca de 1,5 mil vagas em concurso ainda em 2014

IBGE prevê cerca de 1,5 mil vagas em concurso ainda em 2014

Quinta, 14/08/14
O IBGE espera autorização do governo federal para realizar um concurso público, ... mais »
UFPB divulga edital oferecendo 16 vagas para docentes em João Pessoa

UFPB divulga edital oferecendo 16 vagas para docentes em João Pessoa

Quinta, 14/08/14
Os candidatos que desejarem realizar sua inscrição devem procurar a secretaria d... mais »
Ministério do Planejamento autoriza concurso com mais de 100 vagas para o INPI

Ministério do Planejamento autoriza concurso com mais de 100 vagas para o INPI

Quinta, 14/08/14
As 140 vagas à serem preenchidas são para os cargos de Pesquisador em Propriedad... mais »

Publique seu artigo

Utilize o espaço que o Algo Sobre disponibiliza para você professor, jornalista ou estudante divulgar seu trabalho com publicações no site.

Enviar agora