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Relações Harmónicas Intraespecíficas

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As Relações Harmônicas são aquelas que trazem benefício para os seres que dela participam; intraespecíficas são relações que ocorrem entre seres da mesma espécie.

As relações harmônicas intraespecíficas são duas: a sociedade e a colônia.

Relações Harmónicas Intraespecíficas

SOCIEDADES

As sociedades constituem-se em aglomerados de indivíduos da mesma espécie que executam suas funções com a finalidade de beneficiar a população.  As sociedades podem ser ISOMORFAS (quando os indivíduos apresentam as mesmas formas, ou seja, a forma não influencia na função, por isso qualquer indivíduo pode realizar qualquer função na sociedade) ou HETEROMORFAS (quando os indivíduos possuem a forma diferenciada, portanto adaptadas para suas respectivas funções).

As sociedades isomorfas são aquelas em que os indivíduos constituintes não apresentam características morfológicas diferenciadas e, portanto, podem ocupar qualquer função na sociedade.  O melhor exemplo de sociedade isomorfa é a humana, onde os indivíduos são morfologicamente semelhantes.

  As sociedades heteromorfas são aquelas em que os indivíduos constituintes apresentam diferenças morfológicas, o que determina que estes indivíduos realizem atividades de acordo com estas adaptações morfológicas.  Um dos exemplos que melhor podem ilustrar o das sociedades heteromorfas é a colméia, a sociedade das abelhas.  Além das colméias, os formigueiros e termiteiros (ou cupinzeiros), também constituem exemplos de sociedades heteromorfas organizadas.

Exemplos.

As colméias normalmente estão divididas em castas, ou seja, em categorias, onde cada ser está devidamente adaptado para exercer sua função. Genericamente, as colméias estão divididas em três castas: a casta fêmea da Rainha; a casta fêmea das Operárias e a casta dos machos – os Zangões.
A diferenciação sexual entre estas castas não se dá por determinação cromossômica (cromossomos sexuais).  Em geral (algumas abelhas do Gênero Melipona apresentam machos diplóides semelhantes as fêmeas.  Certamente que nestas espécies o processo de determinação sexual obedece a outro fenômeno, como a presença de cromossomos sexuais, por exemplo), o sexo é determinado pela diferença no número de cromossomos autossomos: as fêmeas (rainhas e operárias) são diplóides, ou seja apresentam o número total de cromossomos normais, com dois lotes (2n), isto porque são formadas pelo desenvolvimento de óvulos naturalmente fecundados.  A diferenciação entre as castas femininas dar-se-á posteriormente à fecundação, quando os indivíduos já estiverem na fase larval.  Nesta fase, a larva fêmea escolhida para o posto de nova rainha receberá um alimento especial, a geléia real. Esta geléia dispõe de hormônios que serão responsáveis pelo pleno desenvolvimento das estruturas sexuais da rainha - a diferença principal entre uma Rainha e uma Operária.  Já os zangões são haplóides, ou seja, apresentam apenas a metade dos cromossomos das fêmeas, isto porque resultam do desenvolvimento de óvulos não fecundados, processo biologicamente conhecido como Partenogênese.

As castas da Rainha e dos Zangões tem funções restritas praticamente ao processo de reprodução.  Na época indicada, a Rainha escolhe alguns Zangões para o processo denominado pelos especialistas como “revoada nupcial”.  Nesta revoada, todos os zangões fecundam a Rainha.  Os espermatozóides ficam armazenados em câmaras especiais denominadas espermatecas. Ao retornar à colméia, a Rainha realiza a oviposição nos alvéolos (pequenos orifícios que formam a colméia).  Dependendo da dimensão destes alvéolos os óvulos pode gerar machos ou fêmeas: ao colocarem o óvulo em um alvéolo “apertado”, este pressiona a espermateca que libera um espermatozóide, fecundando o óvulo e gerando uma fêmea; ao colocarem o óvulo num alvéolo mais “folgado”, este não pressiona a espermateca e, portanto, não é fecundado, gerando machos por processo de Partenogênese. Após a cópula, algumas fêmeas sacrificam o macho.  Em algumas espécies, as operárias determinam a morte dos zangões não permitindo seu retorno à colméia (morrem geralmente de fome).  Além desta função essencial para o crescimento e desenvolvimento da colméia, as Rainhas também são as responsáveis pela produção da geléia real.

A casta das Operárias tem várias funções como:

1.  Coleta de materiais para elaboração do mel – o pólen e o néctar, elementos que constituem o mel, é coletado pelas operárias;
2.  Produção de mel – o  mel é produzido a partir da mistura de néctar, pólen e saliva.  O material é misturado na boca das operárias e depositado nos alvéolos da colméia.  O mel serve como alimento para a colméia nos períodos em que há escassez de alimentos;
3.  Produção da geléia real - A geléia real é produzida pelas operárias.  Entretanto, a rainha oferece uma secreção mandibular às operárias que serve para inibir sua fabricação.  À medida que a Rainha vai envelhecendo a secreção dessa substância inibidora da geléia real diminui, o que leva ao surgimento de uma larva moldada para rainha (sucessora do trono);
4.  Produção da cera – a cera é utilizada na arquitetura dos alvéolos da colméia.  Esta cera é secretada por glândulas especiais das operárias;
5.  Proteção da colméia – as operárias são as responsáveis pela proteção da colméia de predadores ou de outros seres que por ventura desejem tirar algum proveito da sociedade, protegendo inclusive as formas jovens;
6.  Aquecimento da colméia – a colméia mantêm-se aquecida graças aos constantes batimentos de asas das operárias, com o calor que emana do movimento muscular.  Neste sentido as operárias se revezam: um grupo permanece sobre a colméia promovendo o “aquecimento muscular”, para uma posterior troca com a equipe que está trabalhando dentro da colméia.

As abelhas surpreendem pela organização.  Pesquisadores estrangeiros, como o professor alemão Dr. Von Frisch, descobriram o formidável meio das abelhas se comunicarem, informando as colegas de colméia informações sobre possíveis fontes de alimentos.  As abelhas do gênero Apis realizam uma verdadeira dança, demonstrando para companheiras a localização da fonte de alimento (Camargo & Stort, 1967).  Os pesquisadores Warwick Kerr e Harald Esch realizando experimentos com abelhas do gênero Melipona, espécies nativas do Brasil, que não realizam a dança, conseguiram gravar sons, cuja frequência varia de acordo com a distância da fonte de alimentos em relação à colméia.

 COLÔNIAS

Nas colônias, a exemplo do que ocorre nas sociedades, todos os indivíduos trabalham por objetivos comuns em relação à coletividade, com uma diferença: os seres estão fisicamente unidos.  Podemos definir colônia, portanto, como: uma relação harmônica onde todos os indivíduos, fisicamente ligados entre si, trabalham pelo bem comum.

Assim como as sociedades, as colônias também podem ser ISOMORFAS (quando todos os indivíduos apresentam a mesma estrutura morfológica, podendo, portanto, executar as mesmas funções) ou HETEROMORFAS (quando os indivíduos apresentam atributos morfológicos restritos a função que desempenham na colônia).

As colônias isomorfas são aquelas onde os indivíduos constituintes não apresentam características morfológicas diferenciadas e, portanto, podem ocupar qualquer função na colônia.  O melhor exemplo de colônia isomorfa é o dos recifes de corais, onde os indivíduos são morfologicamente semelhantes. Dentre as maiores colônias de corais (animais cnidários sésseis) está a  grande barreira de corais da Austrália.

As colônias heteromorfas são aquelas onde os indivíduos constituintes apresentam diferenças morfológicas, o que determina que estes indivíduos realizem atividades de acordo com as adaptações morfológicas.  Um dos exemplos que melhor podem ilustrar o das colônias heteromorfas é a caravela.

As caravelas constituem uma reunião de diversos indivíduos com formatos adaptados às suas funções.  As caravelas estão agrupadas como Classe Hidrozoa na ordem Siphonophora.  A Physalia pelagica, como é conhecida cientificamente possui indivíduos adaptados para flutuação e natação, para pesca e defesa, para nutrição (gastrozóides) e para reprodução (gonóforos ou gonozóides).

Comentário: Para alguns autores as caravelas constituem um verdadeiro paradoxo na biologia: é um ser vivo ou um conjunto de seres vivos (uma colônia)?  [Gould, S. J., 1990].


 

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