Economia de Transição, A

Chamam-se de "Economias de Transição" os antigos países socialistas que adotavam a economia planificada e hoje estão implementando a "Economia de Mercado". Essa transição tem sido problemática e cheia de crises: aumento do desemprego, da inflação, multiplicação de máfias ou grupos criminosos organizados, surgimento de movimentos políticos exageradamente nacionalistas, alguns até racistas, como na Iugoslávia, por exemplo.

O grave problema do desemprego surgiu devido ao "pleno emprego" da economia planificada ter sido posto a pique pelo mercado que, com um parque fabril obsoleto não pôde suprir a demanda de emprego. A ordem geral nesses países, até os anos 80, era empregar todo mundo, mesmo sem vagas nas empresas ou repartições públicas. Na economia privatizada, o lucro e a rentabilidade é o que conta, ocasionando evidentemente um grande desemprego nesses países de "Economia de Transição".

Os habitantes dessas nações não demoraram a perceber que o capitalismo também traz inúmeros problemas, resultando em descontentamentos, que por sua vez fazem surgir grupos políticos nacionalistas e até os antigos socialistas (agora com discurso de oposição), culpando o exterior e os estrangeiros pelos problemas do país.

As Diferenças na Transição

A consolidação do antigo "Segundo Mundo" e sua inserção definitiva no Primeiro Mundo poderá levar décadas. O padrão de vida em geral na Rússia, nos anos 90, é inferior ao de muitos países do Sul, como a Argentina, a Coréia do Sul ou até mesmo o Chile.

Existem grupos de países bem mais adiantados nessa transição e outros bastante atrasados. O mais adiantado é a antiga Alemanha Oriental, hoje uma província da nova Alemanha, uma das grandes potências mundiais. Só que a atual parte oriental da Alemanha, menos desenvolvida, se ressente da exist6encia de uma espécie de "Muro Psicológico" perante a ex-Alemanha Ocidental: os habitantes da parte leste seriam uma espécie de "cidadãos de segunda categoria", sofrendo discriminações por parte dos "verdadeiros alemães".

Contudo, o conjunto que mais vem avançando nessa transição é formado pela República Tcheca e Eslovênia, em primeiro lugar, seguidas da Hungria, Polônia e Croácia, além de outros. Um país de sucesso acentuado desse grupo é a República Tcheca: vem crescendo a cada ano sem muitos problemas de desemprego ou inflação. Em seguida, vem a Eslovênia, que era a mais rica região da antiga Iugoslávia.

Nesse grupo, não podemos esquecer as três nações bálticas (Letônia, Lituânia e Estônia), que conseguiram se libertar do jugo soviético e voltaram-se hoje para a Europa Ocidental. Ainda nesse grupo, embora num patamar inferior, inclui-se a Romênia e a Bulgária, embora bem menos industrializadas.

Intermediariamente, situam-se a Rússia, a Eslováquia, a Iugoslávia (o que restou da antiga) e os países que resultaram do esfacelamento da ex-URSS (Casaquistão, Ucrânia, Moldávia, Bielo-Rússia e outros). Esses países enfrentam problemas de desemprego e inflação elevados, além de ameaças de retrocesso devido a descontentamentos populares e formação de grupos políticos conservadores, com boa base de apoio.

No outro extremo, estão países que pouco avançaram nessa transição, como a Coréia do Norte, Cuba e Albânia, que continuam no socialismo de economia planificada, embora Cuba apresente alguma mudança para se adaptar à nova realidade mundial.

Um caso especial é o da China, único país socialista que vem se desenvolvendo em ritmo acelerado desde o final dos anos 70. Apesar do velho e anacrônico Partido-Estado, a China tem se aberto para a economia de mercado de forma particular e sistemática, provocando um surto de crescimento econômico.

Por fim, temos os países paupérrimos do mundo socialista: Mongólia, Vietnã, Laos, Camboja, Moçambique, Angola e algumas nações agrícolas da ex-URSS (Usbequistão, Quirguízia, Turcomenistão, etc.). Nesses países o padrão de vida é baixo e são escassas as perspectivas de desenvolvimento, em virtude de só possuírem matérias-primas ou mão-de-obra barata para oferecer.

Avanços e Recuos do Socialismo Real

Para entendermos o mundo atual, temos que estudar o socialismo real, pois foi principalmente a sua crise que deu margem ao surgimento da chamada nova ordem mundial. Quase 1/3 da população da Terra vivia, nos anos 80 nesses países socialistas, que diziam seguir a teoria do socialismo científico e que adotavam uma economia planificada. A primeira nação a enveredar por esse caminho foi a Rússia, em 1917. Logo a seguir o domínio Russo se estendeu sobre várias outras Repúblicas: Geórgia, Moldávia, Armênia, Ucrânia, entre outras. Em 1922, o país adotou o nome de União Soviética.

A Mongólia, em 1924, também adotou tal regime e os demais países, só a partir da segunda guerra mundial: Iugoslávia, Albânia, Alemanha Oriental e Bulgária em 1945-1946; Polônia e Romênia, em 1947; Tchecoslováquia e Coréia do Norte, em 1948; China e Hungria, em 1949; Cuba, em 1959-1960; Vietnã, em 1945, e Vietnã do Norte, em 1975 (fim da guerra do Vietnã do Norte com o do Sul); Laos, Camboja, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, em 1975.

Durante décadas, pareceu que o mundo socialista progredia, sobretudo do ponto de vista social, com o capitalismo envolto em crises econômicas frequentes e a pobreza se alastrando cada vez mais nos países subdesenvolvidos. Por volta de 1989, uma profunda crise surgiu no "modelo soviético" de economia e vida política, fazendo crer-se que o socialismo havia chegado ao final.


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