Pinturas Rupestres: A Comunicação nas Cavernas

Soares Filho

por:

sobre: Biologia

É uma unanimidade entre os arqueólogos do mundo todo que os homens pré-históricos utilizavam-se das gravuras rupestres com a finalidade de manterem a comunicação.  Os registros deixados em rocha, aliás são objeto de estudos de uma infinidade de pesquisadores.  No Piauí, ocorrem muitos exemplares desta modalidade de expressão dos homens antigos, registradas em rochas de dois grandes parques nacionais: o Parque Nacional de Sete Cidades (situado entre as cidades de Piripiri e Piracuruca, no norte do Estado) e o Parque Nacional da Serra da Capivara (situado entre as cidades de São Raimundo Nonato, São João do Piauí e Coronel José Dias, na região sudeste do Estado).

As pinturas do Parque Nacional da Serra da Capivara são impressionantes.  Percebe-se, numa análise superficial das pinturas, que os homens que habitaram aquela região num passado distante, apresentavam uma atividade comunitária bastante movimentada, registrada com óxido de ferro nos imensos paredões calcários da região.  Entre os quase 400 sítios arqueológicos da região, a grande maioria retrata exatamente como viviam (hábitos, costumes, situações cotidianas, crenças, ritos, etc.) e a natureza ao seu redor (elementos da flora e, principalmente da fauna da época).

A Profª Gabriela Martin em seu livro “Pré- História do Nordeste do Brasil” fala dos inúmeros sítios arqueológicos espalhados pelo sertão nordestino, com grande ênfase para os sítios arqueológicos mais estudados da região sudeste do Piauí.  Dentre os principais sítios citados estão o Boqueirão da Pedra Furada (o sítio mais estudado da área do Parque), a Toca do Sítio do Meio, o Conjunto do Baixão da Perna (Toca do Baixão da Perna I, II, III e IV, etc.) e o Complexo Várzea Grande (Toca do Paraguaio, da Boa Vista, Serra Branca, etc.).  Em seu livro, Martin, fala sobre as tradições de pinturas rupestres do Nordeste brasileiro, com uma rica comparação das pinturas encontradas não somente na Serra da Capivara, mas em sítios situados em todo o nordeste (Carnaúba dos Dantas – RN, Seridó – RN; Cariris velhos – PE, PB, Central – BA, Mirador de Parelhas – RN, Lençóis – BA, Queimadas – PB, Buíque – PE, Santana do Mato – RN, Pedra – PE, São João do Tigre – PB, Matozinho – MG e Afogados da Ingazeira – PE).

Estas tradições de pinturas rupestres estão classificadas em dois grandes grupos: a tradição Nordeste, caracterizada pela riqueza de informações que traz, mostrando figuras humanas e cenas cotidianas, muitas com a nítida impressão de movimento; e a tradição Agreste, caracterizada por figuras grandes, algumas disformes, mostrando elementos da fauna e figuras com características humanas misturadas a prováveis rituais (homens com asas, homens gigantes, etc.).  Alguns autores como a própria Dra. Niède Guidon e a Dra. Anne Marie Pessis admitem existir uma terceira tradição de pinturas, mas desconexa no que se refere às origens de grupos humanos – a tradição Geométrica, que combina traços e figuras geométricas, com poucas representações humanas ou de animais.

A bem da verdade, as representações rupestres dispostas nos sítios do Parque Nacional da Serra da Capivara escondem um sem fim de mensagens deixadas pelo homem pré-histórico, que parecia, pelo menos numa determinada época um indivíduo social, alegre, místico e um amante da natureza.

Ilustração


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