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Faróis

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[Cruz e Souza]

É uma obra constituída de 49 poemas, em que o poeta enfatiza novamente o tom musical ao lado de um intenso trabalho, como vemos em 'Luar de Lágrima':

'Nos estrelados, límpidos caminhos
Dos céus, que um luar criava de prata e de ouro,
Abrem-se róseos e cheirosos ninhos,
E há muitas messes do bom trigo louro...'

Do ponto de vista formal compõe poemas mais livres, sem, no entanto, abandonar a rima. O poema 'Violões que choram', não só pela presença de recursos formais simbolistas [assonância, aliterações, repetições], como pela belíssima concepção musical que alia a forma ao conteúdo.

'Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.'

Formalmente, 'Faróis' engloba poemas mais longos, com versos de medidas regulares mas diferentes, inclusive versos curtos [redondilhas maiores] e variada estrofação [vários poemas em dísticos]. Evidencia-se sempre o esmero no uso do vocabulário erudito e seleto. O destaque de palavras em maiúsculas para indicar sua elevação à categoria absoluta, dentro da estilística simbolista, continua freqüente. Não obstante a deprimência de tom e a acentuação do senso trágico, sempre relacionados com a matéria, persiste a tendência em abstrair, em diluir a realidade na aspiração ansiosa pelo vago, fluido e indefinido, como talvez melhor exemplifiquem as tristezas incertas, esparsas, indefinidas de 'Tristeza do Infinito':

'Anda em mim, soturnamente,
Uma tristeza ociosa,
Sem objetivo, latente,
Vaga, indecisa, medrosa.'

A presença do sonho continua sempre como opção compensadora do sufocante mundo material, mesmo que essa aspiração libertadora nunca seja de todo satisfeita. E em oposição aos aprisionantes laços materiais, abre-se um vago mundo superior, nas regiões siderais, no espaço, no céu, nas estrelas, nas constelações, nos astros, particularmente na branca lua.
Enfim, 'Faróis' é o conjunto de poemas que confirma a decisiva opção simbolista de Cruz e Souza, não obstante encerre cosmovisão extremamente trágica e deprimente.

Comentários

Broquéis e Faróis têm como características marcantes a ausência de rigor métrico, a presença da concepção platônica, um clima de mistério; proliferam as insinuações verbais; a metáfora é atribuída à facilidade de atingir o essencial, o cultivo do belo, o espiritual, o místico e o não-consciente.
Vemos também: maior interesse pelo particular do que pelo geral e universal; tentativa de conseguir a aproximação da poesia com a música lançando mão de alguns recursos, como a aliteração; ênfase na sugestão do imaginário, na fantasia e na percepção intuitiva da realidade.

Conteúdo Forma

Broquéis A dor de ser negro! Além disso, Excesso de musicalidade e valorização
há fortes mensagens de constantes de tudo o que sugere brancuras
sensualismo espiritualizado e transparências.

Faróis A dor de ser homem! Aprisionado Musicalidade, mais equilibrada e
as limitações da matéria. harmoniosa.
Revolta, pessimismo.
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