O Barão
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Resumos Literarios
Por Algosobre  conteudo@algosobre.com.br
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[Branquinho da Fonseca]
Além da prosa por que é conhecido, Branquinho da Fonseca fez também poesia; sua novela O Barão foi lançada em 1942.
O Barão é uma novela inquietante, cuja base é uma grande metáfora: o encontro de duas criaturas, dois tempos e duas maneiras de estar no mundo.
Estruturalmente, não há divisões em episódios ou capítulos: é contada em primeira pessoa e o tempo, nela, transfunde-se numa tentativa de juntar o passado [ o Barão] e o presente [ o inspetor de alunos].
O Dicionário de Literatura de Jacinto do Prado Coelho observa que O Barão é a obra-prima de Branquinho da Fonseca e que, antes de tudo, é também 'uma das mais notáveis espécimes da novelística portuguesa de todos os tempos.'. Não deixa de ter razão o comentário: O Barão é uma das alegorias mais magníficas da novela portuguesa do século XX.
Um inspetor de escolas sem nome e que não gosta de viagens , mas que é obrigado a fazê-lo é a personagem-narradora. Não se pode dizer que ele seja também a personagem-protagonista pelos motivos que explicaremos adiante.
O inspetor representa o mundo contemporâneo e vivenciará um outro, antigo, através de uma estratégia simples: o encontro com uma criatura que vive, ainda, num tempo passado, cujos valores certamente já se perderam: o Barão, personagem também sem nome, mas rica, intensa e de força pessoal poderosa e transformadora.
História: O inspetor sem nome, nosso narrador em primeira pessoa, é chamado à Serra do Barroso para proceder uma sindicância na escola da pequena vila. Lá, encontra-se com uma professora e fica penalizado com sua aparência e o seu suposto sentir, observando seus modos e tentando entender-lhe o que vai na alma, julgando-a em contraste com o mundo exterior que habita, naquele lugar de ninguém, distante da 'civilização'.
Mas suas preocupações parecem, no entanto, ser desmentidas quando observa-a integrada àquilo tudo, tomando seu 'café-ruim' como se coubesse perfeitamente naquele universo estático, sem cor.
Ainda na hospedaria onde ambos se encontram, a professora apresenta-o ao Barão:
Era uma figura que intimidava. Ainda novo, com pouco mais de quarenta anos, tinha um aspecto brutal, os gestos lentos como se tudo parasse à sua volta durante o tempo que fosse preciso. O ar de dono de tudo.
Mas, observando-o detidamente, bebendo-lhe as palavras, os gestos inquietos ou brutais, o inspetor de escolas descobre nele, o Barão, um encantamento, uma simpatia que não fosse, talvez, observado ou compartilhado pelos demais habitantes da pequena vila. Saem da hospedaria e se dirigem ao castelo do Barão.
No caminho, este lhe conta , excitado, a história de seu cavalo Melro, doutorado em Direito pela Universidade de Coimbra, numa clara alusão à burrice estar no mundo, morar em qualquer canto e que a estupidez de alguns é, muitas vezes, transformada em 'doutoramento'. Mesmo que esse alguém seja