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Fenomenologia

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Tomada em sentido etimológico, o termo fenomenologia provém de duas palavras gregas, phainomenon e logos. Assim, seu sentido primeiro é ciência ou estudo dos fenômenos. A amplitude deste sentido permite identificar a fenomenologia com a própria investigação filosófica, uma vez que esta deve, necessariamente, partir disso que se apresenta, dos fenômenos, de modo a conferir-lhes uma unidade de sentido.

O termo fenomenologia foi empregado em várias acepções, por vários pensadores, ao longo da história da filosofia. Assim, no século XVIII, Lambert denomina fenomenologia a investigação que visa distinguir entre verdade e aparência, de modo a destruir as ilusões que com frequência se apresentam ao pensamento. Esta investigação é afirmada como o fundamento de todo saber empírico.

Para Kant, fenomenologia é o nome da ciência que estuda a matéria enquanto objeto possível da experiência. Este filósofo postula, ainda, a necessidade de uma phenomenologia generalis, que trace a distinção entre os âmbitos sensível e inteligível. Hegel denomina fenomenologia do espírito a ciência do movimento da consciência, que parte da consciência sensível e alcança, após vários estágios, a consciência de si, esta caracterizada como um saber absoluto.

Para Peirce, a fenomenologia constitui uma das partes constituintes da filosofia, e compreende o estudo disso que se apresenta de qualquer modo à mente, independente de qualquer correspondência à realidade. Contudo, a fenomenologia ganhou um novo e rigoroso direcionamento no pensamento de Edmund Husserl, de maneira tal que o sentido atualmente vigente deste termo liga-se, por princípio, ao significado que lhe outorgou este autor.

A fenomenologia husserliana é um método que visa encontrar as leis puras da consciência intencional. A intencionalidade é o modo próprio de ser da consciência, uma vez que não há consciência que não esteja em ato, dirigida para um determinado objeto. Por sua vez, todo objeto somente existe enquanto apropriado por uma consciência. "Sujeito" e "objeto" constituem, para esta concepção, dois polos de uma mesma realidade.

Contudo, é preciso encontrar um procedimento que faça ver a estrutura integral da consciência. A fenomenologia consiste, pois, em apresentar as coisas nelas mesmas; ela deve alijar todos os pressupostos de conhecimento, a fim de apreender a consciência em seu puro caráter fenomenal. Para realizá-lo, ela parte do processo de redução (em grego, epoché); este consiste em pôr o mundo entre parêntesis, liberando, assim, o puro fenômeno. Este se manifesta, assim, de maneira dupla: como redução eidética, que faz aparecer a apreensão, pela consciência, de essências puras, unidades ideais formadoras de sentido. Assim, o que é visado pela consciência se manifesta em seu âmbito essencial, como sentido.

 O segundo momento deste processo é o da redução transcendental, em que a própria existência da consciência é posta entre parêntesis. Voltando sobre si própria, a consciência se apreende como eu puro ou transcendental, que confere sentido a toda experiência de egoidade.

Vários autores posteriores a Husserl voltaram a tratar da fenomenologia. Entre eles, podemos citar: Max Scheler, Heidegger, Sartre, Merleau-Ponty. Contudo, por maiores que sejam as diferenças entre estas concepções, seu fundamento continua sendo o pensamento husserliano.


 

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