Tipologia Textual

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A expressão “tipologia textual” designa um fragmento de língua (um enunciado) que apresenta certas propriedades linguísticas intrínsecas, ou seja, tipologia textual é o uso de determinadas palavras, determinados tempos verbais, determinadas relações lógicas.

Além dessas marcas linguísticas, cada tipo textual tem um propósito. Em outras palavras, uma narração “conta uma história”, uma descrição apresenta as características físicas (ou psicológicas) de uma entidade, uma exposição ou dissertação apresenta fatos da realidade, uma argumentação defende uma ideia ou uma tese e uma injunção procura provocar uma reação do interlocutor, seja ela física ou verbal.

Os gêneros textuais são:

Narração

Narração é um relato organizado de acontecimentos reais ou imaginários. São seus elementos constitutivos: personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente, o episódio, e o que a distingue da descrição é a presença de personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito.

A Narração envolve:

  1. Quem? Personagem;
  2. Quê? Fatos, enredo;
  3. Quando? A época em que ocorreram os acontecimentos;
  4. Onde? O lugar da ocorrência;
  5. Como? O modo como se desenvolveram os acontecimentos;
  6. Por quê? A causa dos acontecimentos;

D. Paula entrou na sala exatamente quando a sobrinha enxugava os olhos cansados de chorar. Compreende-se o assombro da tia. Entender-se-á também o da sobrinha, em se sabendo que D. Paula vive no alto da Tijuca, donde raras vezes desce; a última foi pelo Natal passado, e estamos em maio de 1882. Desceu ontem, à tarde, e foi para casa da irmã, Rua do Lavradio. Hoje, tão depressa almoçou, vestiu-se e correu a visitar a sobrinha. A primeira escrava que a viu, quis ir avisar a senhora, mas D. Paula ordenou-lhe que não, e foi pé ante pé, muito devagar, para impedir o rumor das saias, abriu a porta da sala de visitas, e entrou.

MACHADO DE ASSIS, DONA PAULA

O texto narrativo é figurativo, pois se constrói com termos concretos (sala, sobrinha, olhos, tia, casa, irmã...). O foco recai sobre uma personagem determinada (D. Paula), que num determinado tempo e espaço, realiza uma série de ações (entrar na sala; enxugar os olhos; descer e ir para casa da irmã; almoçar, vestir-se e correr a visitar a sobrinha...). Tais ações indicam mudanças de situações e transformações de estado. As mudanças estão organizadas em uma relação de anterioridade e causalidade lógica (almoçar é anterior a vestir-se e visitar a sobrinha; a escrava ver D. Paula é anterior ao fato de ela querer avisar a senhora; abrir a porta da sala é anterior a entrar). Por conta disso, há uma predominância de tempos verbais do passado (entrou, enxugava, almoçou, vestiu-se, ordenou...).

Descrição

Descrever é representar verbalmente um objeto, uma pessoal, um lugar, mediante a indicação de aspectos característicos, de pormenores individualizantes. Requer observação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito um modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-se o uso de palavras específicas, exatas.

A tardezinha de sábado, um pouco cinzenta, um pouco fria, parece não possuir nada de muito particular para ninguém. Os automóveis deslizam; as pessoas entram e saem dos cinemas; os namorados conversam por aqui e por ali; os bares funcionam ativamente, numa fabulosa produção de sanduíches e cachorros-quentes. Apesar da fresquidão, as mocinhas trazem nos pés sandálias douradas, enquanto agasalham a cabeça em echarpes de muitas voltas.

Tudo isso é rotina. Há um certo ar de monotonia por toda parte. O bondinho do Pão de Açúcar lá vai cumprindo o seu destino turístico, e moços bem falantes explicam, de lápis na mão, em seus escritórios coloridos e envidraçados, apartamentos que vão ser construídos em poucos meses, com tantos andares, vista para todos os lados, vestíbulos de mármore, tanto de entrada, mais tantas prestações, sem reajustamento — o melhor emprego de capital jamais oferecido!

Em alguma ruazinha simpática, com árvores e sossego, ainda há crianças deslumbradas a comerem aquele algodão de açúcar que de repente coloca na paisagem carioca uma pincelada oriental. E há os avós de olhos filosóficos, a conduzirem pela mão a netinha que ensaia os primeiros passeios, como uma bailarina principiante a equilibrar-se nas pontas dos sapatinhos brancos.

(Extraído de tarde de sábado, de Cecília Meireles)

O texto descritivo se caracteriza por mostrar características dos seres (objetos, lugares, animais ou pessoas). Também é figurativo, tal qual o narrativo, mas não se organiza em um encadeamento lógico. As características descritas não indicam relações de anterioridade ou causalidade, mas sim propriedades e aspectos presentes numa situação. Esse comprometimento com a simultaneidade faz com que as formais verbais estejam, em sua maioria, no presente ou no imperfeito, que são tempos verbais mais neutros com relação à cronologia. Ao mesmo tempo, há uma quantidade de palavras e expressões indicadoras de propriedades, como adjetivos e locuções adjetivas.

Dissertação/Exposição

O texto dissertativo expõe, analisa e interpreta os fatos da realidade. Ele é temático, ou seja, focaliza um assunto de caráter genérico, analisando-o, avaliando-o e explicando-o. Não estão em jogo propriedades concretas dos seres, nem mesmo as mudanças de eventos e estados; o que interessa numa dissertação é uma visão genérica e global do tema. Sendo assim, há uma predominância de termos abstratos. São relatadas mudanças de situação; no entanto, diferentemente do texto narrativo, não há necessariamente relações de anterioridade ou cronologia. Os enunciados se baseiam em relações lógicas – de analogia, causalidade, implicação, etc. Como o texto dissertativo pretende expor verdades gerais, predominam as formas verbais no presente, embora outros tempos contribuam para veicular as noções lógicas das situações.

A cooperação científica e tecnológica se caracteriza pelo trabalho conjunto entre pesquisadores, grupos ou organizações (empresas, institutos de pesquisa, universidades, etc), em função de objetivos comuns, podendo se expressar em documentos legais – acordos, protocolos, convênios – ou se estabelecer sem maiores formalizações, no âmbito de projetos específicos, através de pesquisadores.

A cooperação – internacional, regional ou nacional – é amplamente destacada como meio para promover o desenvolvimento de capacidades científicas e tecnológicas e para atacar problemas específicos. O trabalho conjunto com pesquisadores e grupos na fronteira do conhecimento e com firmas que tenham interesses direto na produção e inovação é visto como um valioso instrumento de avanço do conhecimento, de inserção de um grupo ou instituição na comunidade científica e tecnológica internacional, e de promoção da inovação (Yilma, 1993:29).

(Extraído de a Cooperação Internacional em Ciência e Tecnologia: Aspectos gerais, de Maria Carlota de S. Paula e Izabel T. G. Alves)

Argumentação

Textos argumentativos são aqueles que tentam agir sobre o receptor. Ou seja, além de informar algo, num texto argumentativo, o autor busca convencer o leitor, fazê-lo crer na informação veiculada ou induzi-lo a agir de uma certa forma. A palavra-chave para definir um texto argumentativo é a persuasão. Contudo, o ato de persuadir pode tomar muitas faces, uma vez que cada receptor está mais propenso a aceitar argumentos de um tipo ou de outro. Da mesma forma, os recursos linguísticos usados com o objetivo de convencer vão ser inúmeros.

Argumentos podem se fundamentar, por exemplo, na autoridade, quando o emissor cita autores ou personalidades que contam com notório saber em alguma área. Argumentos podem se fundamentar também no consenso, quando certas proposições são consideradas e aceitas como verdadeiras. Argumentos também podem se fundamentar na lógica, em que relações de causa e efeito são levadas em conta. Argumentos podem se basear ainda em evidências, sendo que provas concretas constituem uma das mais eficazes formas de persuasão.

Para cada modalidade de argumento, há estratégias linguísticas eficientes. E o interessante é que as mesmas estratégias linguísticas podem ser usadas com eficiência, mesmo na falta de argumentos irrefutáveis.

Ministério da Saúde
FIOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz
Série Prevenindo Intoxicações

Medicamentos

No Brasil, como na maioria dos países, os medicamentos se apresentam como o principal agente tóxico, respondendo por, aproximadamente, 28% dos casos de intoxicação humana registrado, anualmente, pelo SINITOX/CICT/FIOCRUZ/MS.

Os benzodiazepínicos, antigripais, antidepressivos, anti-inflamatórios são as classes de medicamentos que mais intoxicam em nosso país.

Crianças menores de 5 anos representam, aproximadamente, 35% dos casos de intoxicação por medicamentos, no Brasil.

Além de programas de prevenção e campanhas educativas, é importante a adoção em nosso país, a exemplo do que ocorre na maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, da Embalagem Especial de Proteção à Criança (EEPC) em medicamentos e produtos químicos de uso doméstico.

[...]

Para ajudar a prevenir intoxicações com remédios ou produtos de limpeza, adquira, se possível, produtos com trava de segurança. Os produtos que mais causam intoxicação em crianças são os medicamentos, produtos de limpeza e as plantas.

(Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/fi000004.pdf)

Injunção

- Mas o que é?... fala, Malvina.
- Não te lembras de uma promessa, que sempre me fazes, promessa sagrada, que há muito tempo devia ter sido cumprida?
... hoje quero absolutamente, exijo, o seu cumprimento.
- Deveras?.., mas que promessa?... não me lembro.
- Ah! como te fazes de esquecido!... não te lembras, que me prometeste dar liberdade a...
- Ah! já sei, já sei; - atalhou Leôncio com impaciência. - Mas tratar disso aqui agora? em presença dela?
... que necessidade há de que nos ouça?
- E que mal faz isso? mas seja como quiseres,
- replicou a moça tomando a mão de Leôncio e levando-o para o interior da casa;
- vamos cá para dentro.
Henrique, espera aí um momento, enquanto eu vou mandar preparar-nos o café.

(Extraído de A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães)

Para trocar a bateria

1.Vire o Vector com o mostrador para baixo.
2.Coloque uma moeda na base indicada na tampa do compartimento de bateria.
3.Gire a moeda no sentido anti-horário até a posição marcada "open", na parte de trás do Vector.
4.Remova a tampa.
5.Remova a bateria velha, verificando o estado e a posição do anel de vedação, para garantir a vedação de seu Vector.
6.Coloque a nova bateria.( polo negativo para baixo, positivo para cima.)
7.Recoloque a tampa do compartimento.
8.Recoloque a moeda na tampa.
9.Gire a moeda no sentido horário.

Trecho do manual de instrução de um relógio (Vector: http://www.is.com.br/manuais/manual_vector.htm)

O texto injuntivo é centrado na ação ou procedimento, indicando o que fazer para realizála (lembrar, preparar...; ajustar, pressionar...). Há uma interação explícita entre os interlocutores e o falante procura provocar uma reação do ouvinte (por meio de uma ordem, por exemplo: Pressione o botão select durante 2 segundos...; quero absolutamente, exijo, o seu cumprimento...). Assim, há uma grande incidência de formas verbais no imperativo (vamos cá para dentro, espera aí um momento...; Repita os movimentos anteriores...), assim como a existência de perguntas (- Mas o que é?) e vocabulário de comprometimento dos interlocutores (que me prometeste dar liberdade).


Os exemplos apresentados de tipos textuais são de textos verbais escritos. Mas, como a noção de texto que estamos utilizando não é a tradicional, o conceito de tipo textual se estende a outras linguagens também. Observe o quadro abaixo intitulado “Comedores de batatas”, de Van Gogh e considere os elementos nele presentes que remetem aos tipos textuais.

Ilustração sobre Tipologia Textual (Quadro: Comedores de Batata de Van Gogh)

Descrição: Podemos imediatamente pensar em uma descrição, já que nela são apresentadas as características físicas de uma camada social, os agricultores, e características regionais também, presentes no vestuário.

Narrativa: Podemos também pensar em uma narrativa, se imaginarmos o roteiro onde esta cena se insere: o momento da refeição, suas etapas e seus atores, as ações que são desempenhadas pelos presentes.

Injunção: Também há aspectos de injunção, pois é óbvia a interação entre os atores, sendo que dois deles estão se dirigindo aos vizinhos para oferecer algo.

Argumentativa: Podemos também dizer que as cores escuras do quadro, assim como as feições dos personagens/agricultores, marcadas pelo trabalho, e o fato de haver pouco alimento à mesa são elementos argumentativos, que denunciam uma situação desprivilegiada de uma camada social na Europa em um determinado período.

1. Texto Literário: expressa a opinião pessoal do autor que também é transmitida através de figuras, impregnado de subjetivismo. Ex: um romance, um conto, uma poesia...

2. Texto Não Literário: preocupa-se em transmitir uma mensagem da forma mais clara e objetiva possível. Ex: uma notícia de jornal, uma bula de medicamento.

TEXTO LITERÁRIO

TEXTO NÃO LITERÁRIO

Conotação Figurado, subjetivo Pessoal

Denotação Claro, objetivo Informativo

Referências

CCEAD PUC Rio - Ministério da Educação
Professor Eraldo Cunegundes


Veja também: Gênero Textual e Tipologia Textual


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