Ciências da Informação |
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Informação era sinônimo de livro até há
pouco tempo. Hoje está em vários lugares: na internet, em CD-ROMs e em outros
meios eletrônicos", diz Waldomiro Vergueiro, coordenador do curso de
biblioteconomia e documentação da USP, em São Paulo. E não é pouca informação:
só os Estados Unidos produzem mais de um bilhão de documentos todos os dias.
Por isso, cada vez mais os bibliotecários e os arquivistas estão sendo
chamados de profissionais da ciência da informação. Afinal, essas área
sofreram uma revolução nos últimos anos e, agora, sua atividade não se
limita a lidar com bibliotecas e arquivos. Eles organizam e permitem o acesso à
informação, onde quer que ela esteja.
Um exemplo do novo modo de atuação no gerenciamento da documentação
produzida em uma organização é o trabalho da bibliotecária Nádia Maria
Hommerding, analista de informações da filial brasileira do banco holandês
ING Barings. "Meu trabalho é buscar dados relevantes para o mercado
financeiro. Leio jornais e revistas nacionais e estrangeiros, digitalizo as matérias
importantes e coloco em um banco de dados no computador ou na intranet, a rede
interna do banco. Procuro também informações na internet e telefono
constantemente para o exterior. Se alguém saber como está o mercado farmacêutico
da Polinésia, ligo para lá e pergunto. Normalmente, eu estou mais bem
informada que o pessoal da área financeira." E tudo isso é virtual.
"Temos uma imensa biblioteca, mas livros, mesmo, são no máximo uma dúzia.
O resto é digital."
Os formandos em biblioteconomia são preparados para esse tipo de atuação
durante o curso, que ensina a buscar e selecionar informações, classificá-las
e disponibilizá-las de uma maneira fácil de localizar - algo fundamental
nesses tempo de excesso de informação. A informática, com a popularização
da internet e dos CD-ROMs, abre muitas portas: é o bibliotecário quem organiza
os arquivos que vão para a rede mundial.
Há oportunidades para o arquivista. "As
empresas, mesmo pequenas, conscientizaram-se da necessidade de preservar sua
história e agora contratam arquivistas", informa Carlos Rossato. Em geral,
esse serviço dura apenas o período de organização do arquivo. Já o
arquivista especializado em recuperar documentos segundo as normas ISO 9000 -
sistema internacional de padronização que garante a qualidade do serviço - é
bastante valorizado. Em biblioteconomia, há poucas vagas nas ocupações
tradicionais, mas crescem as atividades que envolvem informática. Os
profissionais são procurados por órgãos públicos, bancos e grandes empresas.
O profissional de informação precisa ter uma boa formação cultural para saber selecionar aquilo que merece ser guardado. Por isso, além de disciplinas específicas como indexação e classificação, o curso de biblioteconomia oferece matérias ligadas a literatura e ciências sociais. Já o curso de arquivologia é mais prático: inclui catalogação, resumo, linguagem documentária, técnicas de conservação e restauração. Duração média: quatro anos.
ArquivologiaEmbora arquivologia e biblioteconomia sejam profissões que lidam com informação, seus profissionais trabalham de modo diferente. "O bibliotecário compra obras e monta uma biblioteca. O arquivista, não. O arquivo se produz sozinho e cabe a nós organizá-lo", explica Carlos Rossato, coordenador do curso de arquivologia da UFSM, no Rio Grande do Sul. "Além disso, bibliotecas possuem livros que podem ter cópias, mas arquivos guardam documentos únicos. Por isso, aprendemos não só a classificar e organizar, mas também a restaurar documentos e a conservá-los, controlando temperatura e umidade do ambiente onde são guardados."
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