Museologia |
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O seu bairro pode virar museu. Não veja nisso
nenhum sentido pejorativo. "É possível 'museolizar' uma praia, uma praça,
uma cidade inteira", diz Rosana Andrade Dias do Nascimento, chefe do
departamento de museologia da UFBA, na Bahia. "O Pelourinho, centro histórico
de Salvador, pode se tornar um enorme museu, por exemplo." Isso significa
expor ao público objetos de interesse histórico e artístico, abrir casas à
visitação, oferecer textos explicativos e recursos de informática.
Até pouco tempo atrás, a imagem que as pessoas tinham de um museu era a de um
espaço empoeirado, entulhado de velharias. Hoje está claro que, além de
conservar objetos, ele deve estar ligado à comunidade. Um exemplo é o Museu
Histórico da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo. "Quando entrei
aqui, em 1990, o local era fechado ao público e interessava apenas aos médicos",
conta a museóloga Berta Ricardo Mazzieri. "Agora ele atrai muita gente,
graças a seu acervo. Temos obras dos pintores Cândido Portinari e Tarsila do
Amaral, instrumentos médicos centenários e até tratados antigos de
medicina."
Como a faculdade, diversas empresas e instituições estão preocupadas em
preservar e divulgar sua história. Isso é sinônimo de trabalho para o
formado. Quem pensa em seguir essa carreira precisa gostar de arte, história e
de cultura em geral. É o caso de Marcelo Nascimento da Cunha, museólogo do
Museu Afro-Brasileiro de Salvador, na Bahia. "As pessoas tendem a achar que
a cultura africana é uma só, como se não houvesse diferenças regionais. Isso
é um engano, e aqui mostramos essa diversidade."
A tendência atual é criar museus específicos
sobre minorias, comunidades, períodos históricos, empresas ou bairros.
"Antes trabalhávamos para o governo; agora fazemos nossos próprios
projetos e pesquisas", diz Rosana Nascimento. É raro surgirem vagas nos
museus públicos, mas as novas atividades abrem oportunidades em todos os
Estados do país. As cidades médias e pequenas São um mercado a ser explorado.
Salário médio inicial: R$ 1 000, 00
Em alta: Museus específicos.
Somente a UFBA e a Uni-Rio, no Rio de Janeiro, oferecem esse curso no Brasil. Apenas um quinto do currículo é ocupado com matérias específicas de museologia. O restante trata de temas diversos, como arqueologia, estética, história da arte, história geral e do Brasil. Duração média: quatro anos.
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