A doutrina cirenaica possui, em comum com as demais escolas socráticas, o pressuposto de que a felicidade só pode ser alcançada através da autarquia, isto é, do governo de si próprio, sendo este o único modo de dominar as circunstâncias que nos rodeiam. Pressione TAB e depois F para ouvir o conteúdo principal desta tela. Para pular essa leitura pressione TAB e depois F. Para pausar a leitura pressione D (primeira tecla à esquerda do F), para continuar pressione G (primeira tecla à direita do F). Para ir ao menu principal pressione a tecla J e depois F. Pressione F para ouvir essa instrução novamente.

Título do artigo: Cirenaicos

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Cirenaicos (Séc IV - III a.C.)

É considerada pela tradição uma das chamadas escolas socráticas, juntamente com os cínicos e os megáricos. Tais escolas recebem esta denominação por se configurar, cada uma delas, como uma determinada interpretação dos ensinamentos de Sócrates, especialmente no que concerne à correlação entre conhecimento e virtude. Pode-se também apontar, no caso dos cirenaicos, a influência dos ensinamentos sofísticos (ver Sofistas) como determinante para a constituição de seu corpo doutrinário. Seus principais representantes são Teodoro, o Ateu, Hegesias e Aníceris.

A doutrina cirenaica possui, em comum com as demais escolas socráticas, o pressuposto de que a felicidade só pode ser alcançada através da autarquia, isto é, do governo de si próprio, sendo este o único modo de dominar as circunstâncias que nos rodeiam. Porém o pensamento cirenaico diferencia-se das outras escolas ao afirmar que o único critério de verdade reside nas sensações. Que percebemos algo como sendo branco ou doce, quanto a isto não nos podemos enganar. Mas que este algo seja, efetivamente, branco ou doce, isto ninguém poderá conhecer ao certo.

Para tais sensações, existem nomes comuns, razão pela qual cremos que elas próprias são comuns. Mas o que cada um sente ao denominar algo como doce, isto não é conhecido, nem comum entre os homens. Sendo critério de verdade, a sensação deve ser considerada, desta forma, critério norteador da ação. Assim, o prazer é associado ao bem e o desprazer ao mal, havendo, ainda, um estágio intermediário de neutralidade. Assim, a busca do bem subordina-se, para esta concepção, à busca do prazer. É preciso ressaltar ainda que, por prazer, Aristipo e os cirenaicos compreendem somente o prazer efetivo, que se dá no presente, uma vez que o movimento da alma, gerador das sensações, se dissolve no tempo, não guardando o próprio prazer, mas somente sua recordação.

Aristopo (Aristipo de Cirene)A felicidade deve ser compreendida como o somatório dos prazeres particulares, tanto presentes quanto passados e futuros. Neste sentido, ela se distingue do prazer. Contudo, não se trata de uma mera entrega a todo e qualquer prazer. A autarquia é pregada por esta escola como o princípio de dominação dos prazeres, de modo a poder empregá-los, tornando-os úteis sem se deixar por eles subjugar. Domina o prazer não quem se abstém, mas quem, sem deixar-se arrastar por ele, sabe, contudo, usá-lo.

Após Aristipo, a escola se ramifica em três correntes distintas, representadas por Teodoro, Hegesias e Aníceris. Partindo dos pressupostos do mestre, estas correntes possuem, no entanto, poucos pontos de contato entre si.