Tales de Mileto

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sobre: Sociofilosofia

Filósofo pré-socrático, considerado, segundo a tradição, o primeiro físico grego, isto é, o primeiro a investigar as questões referentes à natureza (phýsis). Sabe-se pouco a respeito de sua vida. Foi considerado um dos sete sábios da Grécia.

De acordo com várias fontes, este pensador teria previsto o eclipse total do sol, em 585 a.C. Segundo conta Heródoto, importante historiador da Antiguidade, Tales teria desviado o curso do rio Hális, de modo que o exército de Creso, que Tales integrava, pudesse prosseguir viagem. São contadas, também, várias anedotas a seu respeito. Platão narra o caso em que Tales, enquanto olhava para o céu, observando os astros, caiu em um poço.

 Uma escrava trácia, que se encontrava por perto, riu do ardor com que ele procurava conhecer as coisas do céu, esquecendo contudo aquelas que estavam a sua frente e, precisamente, debaixo de seus pés. Aristóteles relata outra façanha: alguns concidadãos de Tales teriam censurado a este por causa de sua pobreza, alegando ser ela uma prova de que a filosofia para nada servia. Havendo previsto, por estudos astronômicos, que naquele ano haveria abundante colheita de azeitonas, Tales juntou um pequeno capital e, ainda no Inverno, comprou todos os lagares existentes em Mileto, por baixo preço.

Quando chegou a ocasião da colheita, que de fato foi abundante, Tales alugou seus lagares pelo preço que desejou, obtendo grande lucro. Assim, ele demonstrou, segundo a interpretação de Aristóteles, ser fácil ao filósofo enriquecer, se desejar, não sendo, no entanto, isso de seu interesse.

Do pensamento de Tales, pouco se sabe. Não é provável que este tenha escrito um livro, nem se conhecem fragmentos seus. Sua doutrina chegou até nossos dias somente na forma de comentários (doxografia), em escritos posteriores. Aristóteles, contudo, o designa como fundador da filosofia. Segundo se sabe, Tales teria afirmado ser a água o princípio (arché) de todas as coisas.

No século XIX, Nietzsche analisa esta frase, conferindo a ela o estatuto de uma afirmação filosófica, por três razões: porque ela enuncia algo acerca da origem da realidade, porque o faz sem valer-se, ao contrário do pensamento mítico, de imagens ou fabulações, e porque nela está contido o pensamento: tudo é um. Tales teria, desta forma, sido o primeiro a investigar a unidade originária da realidade, ao perguntar pelo mesmo que se diferencia no múltiplo. Desta forma, é ele, efetivamente, o responsável pela primeira formulação filosófica de que se tem notícia no Ocidente.

Segundo consta, também provém de Tales a afirmação: tudo está cheio de deuses. Para Aristóteles, esta frase parece indicar uma reflexão acerca da participação da alma na totalidade constitutiva do real. Esta participação é indicada pela presença do movimento na natureza; este é, segundo Tales, o modo próprio do anímico se manifestar na realidade.


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