and relieves pain. It is interesting to note that the root cause of sciatica, so strong pinched nerve between the vertebrae current compensation does not delete all and not always. To reduce the likelihood of such rigor in - apparently, it is necessary to continuously strengthen spinal muscular girdle exercises, physical exercises and sports. However, skiing with hot or running, it is very important to have a fear of possible damage. In case of damage, the consequences can be removed immediately with priborchiki!The heart buy naltrexone mrdoc without prescription cheap is covered with a thin, dense crust, forming a closed bag - the pericardial sac. Between the heart and the pericardial fluid is, the nucleus of the wet, and reduces the friction of the cuts. Warning! Do not participate in self-diagnosis function! Be sure to consult your doctor when deciding on self-treatment, body cleansing treatment. Consistently take all the necessary evidence. Do not give up visits to clinics! Do not cancel those drugs that record an expert! Does not involve successive cleansing process
[Clarice Lispector]1. EnredoEm A Hora da Estrela, aquilo que se convencionou chamar de enredo é algo bastante simples, com pouca ação, e pode ser resumido assim:Uma feia moça nordestina, muito pobre, muito simplória, muito ignorante, mas também muita rica em peculiaridades que o narrador descobre nela, é a personagem central [protagonista] da história. Essa moça tem 19 anos Pressione TAB e depois F para ouvir o conteúdo principal desta tela. Para pular essa leitura pressione TAB e depois F. Para pausar a leitura pressione D (primeira tecla à esquerda do F), para continuar pressione G (primeira tecla à direita do F). Para ir ao menu principal pressione a tecla J e depois F. Pressione F para ouvir essa instrução novamente.
Título do artigo:

A Hora da Estrela (resumo)

97

por:

[Clarice Lispector]

1. Enredo

Em A Hora da Estrela, aquilo que se convencionou chamar de enredo é algo bastante simples, com pouca ação, e pode ser resumido assim:

Uma feia moça nordestina, muito pobre, muito simplória, muito ignorante, mas também muita rica em peculiaridades que o narrador descobre nela, é a personagem central [protagonista] da história. Essa moça tem 19 anos, chama-se Macabea e vive no Rio de Janeiro, na Rua do Acre, próxima do cais do porto, onde compartilha, num velho sobrado, as vagas de um quarto muito modesto, com mais quatro moças [todas Marias e todas balconistas das Lojas Americanas].

Macabea trabalha como datilógrafa numa firma de representantes de roldanas, que fica na Rua do Lavradio. Quando viera para o Rio, ainda vivia com a tia beata, pessoa que a criara desde a morte dos pais, aos dois anos de idade, no sertão de Alagoas, onde a moça nascera. Mais tarde, foram morar em Maceió e, depois, não se sabe por quê, mudaram-se para o Rio. Só após a morte da tia é que Macabea vai viver no quarto da Rua do Acre.

Os fatos propriamente ditos começam a ser narrados quando a nordestina recebe de seu chefe, Raimundo Silveira, [por quem ela estava secretamente apaixonada] o aviso de que será despedida por incompetência. Como Macabea aceita o fato com enorme humildade, o chefe se compadece e resolve não despedi-la imediatamente.

Logo depois disso, num final de tarde chuvoso, dia 7 de maio, a moça encontra, por acaso, um rapaz também nordestino [Olímpico de Jesus], com quem inicia uma espécie de namoro. Esse namoro, porém, dura pouco, pois Olímpico, um operário ambicioso e de maus antecedentes, acaba trocando Macabea por Glória, sua colega, com quem ele acha que terá mais chances de 'subir na vida', já que ela era mais bonita e muito mais esperta do que Macabea.

Glória, com certo sentimento de culpa por ter roubado o namorado da colega, sugere a Macabea que vá a uma cartomante, sua conhecida. Para isso, empresta-lhe dinheiro e diz-lhe que a mulher [Madame Carlota] era tão boa, que poderia até indicar-lhe o jeito de arranjar outro namorado. Macabea vai, então, à cartomante, que, primeiro, lhe faz confidências sobre seu passado de prostituta; depois, após constatar que a nordestina era muito infeliz, prediz-lhe um futuro maravilhoso, já que ela deveria casar-se com um belo homem loiro e rico - Hans - que lhe daria muito luxo e amor.

Macabea sai da casa de Madame Carlota 'grávida de futuro', encantada com a felicidade que a cartomante lhe garantira e que ela já começava a sentir. Então, logo ao descer a calçada para atravessar a rua, é atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo. E a morte vem lentamente, enquanto o narrador vai fazendo divagações e reflexões filosóficas, às vezes fóricas sobre Macabea, sua vida, seu destino e sobre o próprio ato de narrar e a [in]capacidade dele, narrador, de evitar a morte da personagem.

Enfim, tendo se acomodado fetal, Macabea morre. Assim, ao que tudo indica, é através da morte que essa pobre criaturinha, de 'corpo cariado' e 'útero murcho', mas que queria ser 'artista de cinema', vai encontrar a sua hora de estrela.
E, morrendo Macabea, morre o próprio narrador, Rodrigo S.M. Ao longo de toda a narrativa, a identificação e o envolvimento de Rodrigo com sua personagem é realmente tão grande, [tornando-se ele a própria consciência que Macabea não possuía] que se entende por que ele diz morrer junto com ela.

2. Personagens

2.1. Rodrigo S.M. - o narrador e, na verdade, personagem muito importante do relato. Representa, sem dúvida, a própria Clarice, com seus mistérios, suas interrogações, sua preocupação constante em mergulhar fundamente na interioridade do ser humano. Ele inicia o livro justamente fazendo reflexões e indagações sobre a existência e sobre o ato de escrever. Apresenta-se, depois, justificando por que a história terá de ser contada por um narrador homem e dizendo que decidiu escrever sobre a moça porque 'numa rua do Rio de Janeiro peguei no ar de relance o sentimento de perdição no rosto de uma moça nordestina'.

2.2. Macabea - a moça nordestina [alagoana] de 19 anos, que vivia sem família, pobre, desleixada e subempregada no Rio de Janeiro. Era tão alienada e inconsciente, que não sabia num mesmo que era infeliz.

2.3. Olímpico de Jesus - o primeiro e único namorado de Macabea. Nordestino da Paraíba, já havia cometido um crime e estava no Rio trabalhando com lúrgico. Ambicioso e sem escrúpulos de honestidade e decência, pretendia ser deputado. Adorava ouvir discursos e sabia desenhar caricaturas.

2.4. Glória - colega de trabalho de Macabea. Loira oxigenada, embora não fosse bonita, era bem alimentada e 'amaneirada no bamboleio do caminhar por causa do sangue africano escondido'. Isso e o fato de ser filha de açougueiro constituíram atrações para o ambicioso Olímpico, que deixa Macabea por ela.

2.5. Madame Carlota - a cartomante. Ex-prostituta e ex-cafetina, era 'fã de Jesus' e gostava muito de comer bombons. Prevê dinheiro grande e marido estrangeiro para Macabea.

3. Comentário da obra

3.1. Mais um romance do 'eu'
O grande crítico Massaud Moisés diz, a respeito da obra de Clarice Lispector, que 'a personagem única, ou predominante, da ficção da autora é ela própria. Romances do 'eu', contos do 'eu', eis o que são as suas obras: fictício, ou construído, suposto ou imaginário, 'verdadeiro' ou 'real', não importa, é o 'eu' da ficcionista - que pode não ser o da Clarice Lispector/pessoa física, mas é difícil supô-lo - a personagem central [heroína/anti-heroína?] de suas narrativas.' [...] Tudo se passa como se a escritora somente tivesse o 'eu' da sua fantasia. Só por isso o se caso se torna incomparável em nosso meio literário'.
'É que o 'eu' da autora constitui para si próprio um enigma. E para desvendá-lo/desvendar-se, põe-se a [re]escrever os textos em que se manifesta, como se outro destino não tivesse. Em dado momento de A descoberta do mundo, diz ela que seus romances não são autobiográficos nem de longe, 'mas fico depois sabendo por quem os lê que eu me delatei.'
Por tudo isso, em A hora da estrela, podemos ver Clarice transfigurada em Rodrigo S.M. e também, de certa maneira, na nordestina Macabea, com quem o narrador se identifica por várias razões, como, por exemplo, pelo fato de ele [=Clarice], quando menino[a], ter vivido no Nordeste.

3.2. Aspectos sociais
Embora a crítica tenha acusado de ser a ficção de Clarice excessiva ou exclusivamente interiorizada, cheia de mistério, abstração, considerações e indagações filosóficas de caráter intimista, a própria Clarice declarou:
'Desde que me conheço o fato social teve em mim importância maior do que qualquer outro: em Recife os mocambos foram a primeira verdade para mim. [...] Na verdade sinto-me engajada. Tudo o que escrevo está ligado, pelo menos dentro de mim, à realidade em que vivemos.'
Se esse engajamento ao social não pode ser notado em outros livros de Clarice, é certo que, em A hora da estrela, 'Macabea representa o aviltamento por passa o ser humano, quando sua vida é barateada. Ela representa todos os perdidos retirantes nordestinos que se movem alienamente numa metrópole como o Rio de Janeiro'.

3.3. O narrador
O relato se faz todo em primeira pessoa, e o enredo parece ser apenas um pretexto para que Rodrigo S.M. exponha as suas reflexões e indagações sobre si mesmo, sobre o sentido da vida, o ato de escrever, o valor da palavra. Ele é, pois, o personagem mais importante do relato.
Quanto à sua relação com Macabea, ele declara amá-la e compreendê-la, embora faça contínuas interrogações sobre ela e embora pareça apenas acompanhando a trajetória dela, sem saber exatamente o que lhe vai acontecer e torcendo para que não lhe aconteça o pior.

3.4. Linguagem e linguagem
A linguagem narrativa de Clarice é, às vezes, intensamente lírica, apresentando muitas metáforas e outras figuras de estilo. Há, por exemplo, alguns paradoxos e comparações insólitas, que realmente surpreendem o leitor. E também é peculiaridade da autora a construção de frases inconclusas e outros desvios da sintaxe convencional, além da criação de alguns neologismos.
Quanto à linguagem, o livro a apresenta fartamente, em todos os momentos em que o narrador discute a palavra e o fazer narrativo.
Interessante notar que, antes de iniciar a narrativa e logo após a 'Dedicatória do autor', aparecem os treze títulos que teriam sido cogitados para o livro.

3.5. Humor e ironia
Embora a história de Macabea seja profundamente dramática, a narrativa é toda permeada de muito humor e ironia. O próprio nome da protagonista constitui-se numa grande ironia [tragicomédia].

3.6. Espaço e tempo da narrativa
A história se passa no Rio de Janeiro, com referências breves ao Nordeste, região onde viveram Macabea, Olímpico e o próprio narrador.
Quando ao tempo, o narrador diz: 'Quero acrescentar, à guisa de informações sobre a jovem e sobre mim, que vivemos exclusivamente no presente pois sempre e eternamente é o dia de hoje e o dia de amanhã será um hoje, a eternidade é o estado das coisas neste momento.' [p.23]
Mais adiante, diz ainda; 'Tudo isso acontece no ano este que passa e só acabarei esta história difícil quando eu ficar exausto da luta, não sou um desertor [p.40].