[Hindemburgo Dobal Teixeira] Aqui, Dobal enfoca a beleza histórica da cidade de São Luís, com suas ruas, praias, seus casarões coloniais e museus. Todavia, o eu lírico assume uma postura de preocupação diante do descuido para com o legado arquitetôPressione TAB e depois F para ouvir o conteúdo principal desta tela. Para pular essa leitura pressione TAB e depois F. Para pausar a leitura pressione D (primeira tecla à esquerda do F), para continuar pressione G (primeira tecla à direita do F). Para ir ao menu principal pressione a tecla J e depois F. Pressione F para ouvir essa instrução novamente.

Título do artigo: A Cidade Substituída

por:

[Hindemburgo Dobal Teixeira]

Aqui, Dobal enfoca a beleza histórica da cidade de São Luís, com suas ruas, praias, seus casarões coloniais e museus. Todavia, o eu lírico assume uma postura de preocupação diante do descuido para com o legado arquitetônico desta cidade:

Os Signos e as Siglas

Dobal traça um perfil crítico da cidade de Brasília. É um espaço de contrastes - de um lado, a indiferença e a exclusão para com os menos favorecidos:

Proletários
Na luz do Plano-Piloto
na paisagem calculada
na pobreza proibida
de poluir a cidade.

Vêm: de todas as batalhas
das várias cidades-satélites
da vária desfortuna
dos sertões, das montanhas,
dos campos esgotados.

Não são fantasmas diurnos:
são os camelôs da vida
os bóias-frias urbanos
os subzeros que nem
a morte vai redimir.

Do outro, o oposto:

"Vai a tarde envelhecendo
estes desejos incertos
e aqui nestes mistérios
nestas mansões e moradas
desenvolve o desespero."

(A Cidade e as Siglas)

O meio urbano inspira no eu lírico um sentimento melancólico. Imersas neste quadro, as pessoas passam apáticas na paisagem de concreto, mantendo um pouco de esperanças em suas vidas. Esta sensação de abatimento é representada pelo pôr-do-sol:

Crepúsculo
Silencioso
Solitário
Sinistro
Um sol-poente
Celebra o suicídio da tarde.

Ephemera

O poema de abertura que dá título ao livro pode se configurar como um guia na compreensão
desta obra:

Ephemera
Por todo o sempre
embalado
nas canções da noite,
um homem diante
dos mistérios do mundo.

Nos portais do dia
os fogos da manhã:
um homem e seu desejo de paz
no escuro espaço
além do céu.

Os caminhos do vento
nas planuras da tarde:
um homem
existindo
resistindo
como
as vagarosas nuvens do verão.

No texto, o eu lírico assume três posturas diante da existência que se fazem presentes no livro.

Cada posicionamento está vinculado a um determinado instante:

A Noite (1a estrofe) - simboliza o período de reflexão diante "dos mistérios do mundo.":

A Manhã (2a estrofe) - é "o fogo", a energia para o (ré) começo, além do equilíbrio - "desejo de paz".

O Dia (3a estrofe) - representa a monotonia, a lentidão e a tristeza. É a preparação para a meditação (A Noite) acerca da vida.

Embora mostrada em três etapas, a existência humana é uma, em um processo cíclico de renovação, para se chegar à incerteza diante de nossas realizações.

O tema amoroso é outro tópico ressaltado. O amor e a paixão possuem aqui um aspecto comum - a efemeridade - sendo também um processo cíclico:

"Na calma da tarde
vem um pensamento.
Partir para sempre.
Só. No adeus do vento.
(...)
Turva calmaria
afunda o verão.
Naufragado amor.
O amor é somente
uma dessas cousas
que vêm e que vão."

(Amor)

Paixão

Esta súbita paixão pelos retratos de adolescência de Luiza Goulart.

Seu rosto rosado, seus lábios tensos, seus olhos intensos, tudo o que a vida lhe tomou e que hoje esta paixão me devolve.

Considerações Finais:

Hindemburgo Dobal Teixeira. Dotado de uma linguagem precisa , enxuta e concisa, pouco recorre às figuras de linguagem e recursos reiterativos . Há um equilíbrio entre conteúdo e forma na poesia de Dobal , não enfatizando a métrica e a rima em seu trabalho poético.


Fonte:
COLÉGIO PRO CAMPUS